Grifes investem em novos tecidos para roupa de inverno

Veículo: indústria textil
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Grifes investem em novos tecidos para roupa de inverno



Os tecidos deram um show à parte durante o São Paulo Fashion Week (SPFW), que terminou quarta-feira em São Paulo. Texturas brilhantes, felpudas, translúcidas, peludas, fotoluminescentes e resinadas surgiram dando uma aparência de sofisticação às roupas de inverno, como há tempos não se via.

Algumas marcas preferiram importar os tecidos principalmente da Itália, caso da Huis Clos, e do Japão, caso da estilista Fernanda Yamamoto. Outras usaram matéria-prima nacional, caso da Ellus, que apresentou um novo denim, desenvolvido pela Santana Textiles.

O Luminato Denim é o mais recente lançamento da linha BEM, a marca de tecidos tecnológicos bi-elásticos da Santana. "Trata-se de um desenvolvimento 100% brasileiro. Devemos, em breve, registrar a patente dele nos Estados Unidos", diz Raimundo Delfino Neto, diretor de marketing e vendas da Santana Textiles. O tecido possui fios de algodão e elastano tramados de forma a expandir em todas as direções e leva um tingimento com propriedade de absorver a luz. As peças feitas com o Luminato brilham no escuro, durante um período variável. Na claridade, a aparência é de um jeans normal.

"Trata-se de um acabamento que não sairá da peça, mesmo após as lavagens", diz Delfino. A inspiração veio do filme "Tron - O Legado", cujos figurinos "acendem" no escuro. O novo denim da Santana tem um preço cerca de 30% superior ao dos artigos regulares. Por enquanto, é exclusivo da Ellus, mas será lançado ao mercado em abril.

A Santana Textiles, com sede em Fortaleza (CE), possui também uma unidade de produção na Argentina e está instalando outra no Texas (EUA). O volume de produção mensal é de 7,5 milhões de metros de denim.

Para a estilista Sara Kawasaki, da Huis Clos, a tecnologia têxtil é o principal fator de diferenciação das grifes. "As modelagens acabam se repetindo. São os novos tecidos que dão origem a coisas diferentes", diz Sara, que, normalmente, começa a pensar numa roupa a partir do tecido. "É ele que dá a forma que ela terá."

Para a próxima estação, a Huis Clos terá roupas com um novo poliéster, que chega com cara renovada e tecnologia de ponta. "É possível fazer qualquer coisa com ele, inclusive plissados e efeitos amassados", afirma Sara. Outro destaque é cupro, um tecido feito com fibra derivada da celulose que lembra a seda pura. "O artigo é ótimo para fazer blusas leves", diz Sara, que importou o tecido da Itália.

A coleção de inverno 2011 da Huis Clos também apresenta malhas de lã com padrão xadrez - "um artigo difícil de achar", segundo Sara, também trazido da Itália. Por fim, a grife criou blusas com tecido coberto por pelo sintético, com aparência de plumagem. O produto, que imita a pele de animais, tem a aparência muito melhor do que os artigos encontrados anteriormente no mercado. "Ele tem uma leveza que eu nunca tinha visto numa pele falsa."

Segundo Sara, o Brasil ainda é carente em tecidos com alta tecnologia. Ela explica que, como são poucas as grifes nacionais que absorvem os produtos mais sofisticados, as empresas não vêem vantagem em produzir. Mas a cliente da Huis Clos, observa Sara, reconhece e valoriza as inovações têxteis. "Há pouca opção no Brasil, então, a saída é importar", diz Sara.