Banco Central eleva compra de dólar

Veículo: O Globo
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Banco Central eleva compra de dólar

Diante da entrada maciça de dólares no país, o Banco Central (BC) acelerou suas intervenções no mercado de câmbio na última semana, quando as reservas internacionais foram elevadas em US$3,359 bilhões de compras da moeda americana no mercado à vista. Entre os dias 1º e 28 de janeiro, o BC adquiriu US$7,286 bilhões, já o maior valor mensal desde outubro passado, com US$7,593 bilhões.

— Trata-se de uma tendência que deve ficar. A liquidez internacional continua muito boa — afirmou a diretora de câmbio da corretora AGK, Míriam Tavares, para quem o dólar não ultrapassará a barreira de R$1,70 tão cedo.

Ontem, a moeda americana fechou cotada a R$1,668, com ligeira alta de 0,24%. Diante de tanta pressão, a autoridade monetária também vem realizando leilões de swap cambial reverso, que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro. Esta semana, deu início a uma outra tática: o leilão de dólares a termo, com datas de liquidação futura, cujo volume movimentado somente será conhecido após a data de liquidação das compras — a primeira será no dia 9.

O país tem atraído os investidores de fora que, entre outros, vêm em busca de bons rendimentos dos títulos públicos, remunerados pela Taxa Selic — hoje em 11,25% ao ano, uma das mais elevadas do mundo e com tendência de alta. Por isso, ainda segundo o BC, o fluxo cambial, que é a entrada e saída de moeda estrangeira no país, estava positivo em US$12,371 bilhões em janeiro, até a última sexta-feira.

A conta financeira, que engloba os investimentos estrangeiros diretos e em portfólio, respondia por praticamente todo esse volume, com entradas líquidas de US$11,622 bilhões — compras de US$38,398 bilhões e vendas de US$26,776 bilhões. Já a conta comercial, no período, tinha superávit de US$750 milhões, com exportações de US$14,244 bilhões e importações de US$13,495 bilhões.

O BC informou ainda ontem que o IC-BR (índice que mede a variação dos preços das commodities) fechou janeiro com alta de 4,05% sobre dezembro, acumulando nos últimos 12 meses variação positiva de 33,55%.

A autoridade monetária tem mostrado grande preocupação com o comportamento das commodities, que, junto com a atividade aquecida, têm pressionado a inflação. Não por menos, o mercado tem elevado sua expectativa sobre a inflação, que, segundo a pesquisa Focus do BC, está em 5,64% neste ano.