Blue Chip

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas
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Blue Chip A calça do João O João virou John John. Por isso, é muito comum encontrar por aí quem ache que sua grife é americana e pague mais por ela. Mas João Foltran, proprietário e estilista da marca de jeanswear, é paulista de Tietê, cidade a 140 km de São Paulo, onde mantém a fábrica que produz 15 mil peças por mês. "Não vejo isso como um problema", diz Foltran. Afinal, no quesito jeans, brasileiros costumam apreciar com bons olhos marcas gringas como 7 For All Mankind, J Brand e Diesel - que são as principais concorrentes da John John. "Apesar da Diesel, por exemplo, ter baixado o preço nos últimos meses, isso não nos afeta diretamente. Eles ficaram na mesma faixa de preço que nós, mas o produto é diferente e os consumidores enxergam isso", diz Alexandre Manetti, gerente comercial da John John. A grife está em 320 pontos de venda, todas "multimarcas descoladas, que se preocupam com a exclusividade". Cada peça da John John é toda cheia de detalhes. Plaquinhas douradas brincam com a origem da calça "made in heaven". O gosto por encher as calças de aviamentos únicos - como dezenas de tipos de etiqueta, desenhos do lado de dentro e tags com botões - vem acompanhado do medo da pirataria. "Com tudo isso as peças sempre têm novidade e se diferenciam. Além disso, as cópias começam por 'camisetas outdoor', por isso eu nunca vou fazer nada parecido." Apesar das calças femininas, masculinas e infantis serem o carro-chefe (sendo as adultas vendidas por em média R$ 450), os produtos mais vendidos são os shorts, que custam cerca de R$ 320, "pelo clima do Brasil". O que é comum a todas as peças é a preocupação com o conforto. Na John John nada é justo demais. "A mulher que veste nosso jeans é saudável e se preocupa em sentir-se bem." Para alcançar esse resultado, cada peça pode ser lavada até quatro vezes, o que dá mais maleabilidade e um toque leve, parecido com o moletom, aos tecidos. "Quando fazíamos private label me pediram para fazer uma calça com cintura baixa demais. Eu fiz, mas para a John John é diferente, não tem isso", conta Foltran. A empresa nasceu em 2006 na produção para outras grifes. Foltran gerenciou a produção da linha de jeans da Daslu, buscando fornecedores e acompanhando a criação. Assim, conseguiu verba para comprar as primeiras máquinas de sua fábrica. Por três anos, fez jeans para marcas como Animale, Sacada e Carmin. Agora, a John John ocupa toda a produção. A única exceção é a linha NK por John John. São seis peças da coleção, personalizadas para venda exclusiva na loja de Natalie Klein. A expectativa da empresa é aumentar o faturamento em 20% neste ano com relação a 2010. E, além disso, fechar 2011 com 400 pontos de venda e estar em 500 até 2012. Monomarcas ficam só para depois disso. "Por enquanto não temos mix de produtos suficiente." Até agora, a experiência mais ousada de varejo foi fazer uma shop in shop na Jeans Hall, no shopping Iguatemi, em São Paulo. A próxima coleção, de inverno 2011, chegará às araras com preço 15% mais alto que a anterior, devido ao aumento do preço do algodão. Mas isso não deve repercutir nas vendas. "Fizemos um preview em novembro e vendemos 40% a mais do que no ano anterior. Estamos otimistas", diz Manetti. No final deste mês, a coleção de inverno será apresentada a 25 compradores internacionais. Desde o ano passado, a John John participa de um projeto da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) com a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para levar donos de lojas estrangeiras ao showroom. Por conta disso, a grife está hoje em 30 lojas fora do país, em países como Estados Unidos, Paris, Dubai e Beirute. Roberto Stuckert Filho/PR Stella passeia pelo bosque "Contemporâneo", "sofisticado" e "neutro". É assim que a agência DM9DDB traduz o estilo de Stella McCartney no lounge da C&A na São Paulo Fashion Week. A varejista vai aproveitar sua presença como patrocinadora master do evento para lançar oficialmente a linha de roupas criada pela filha de Paul McCartney para a rede. Entre cadeiras e móveis escuros e com poucos detalhes, haverá telas com cenas de desfiles. É nesse ambiente "à la Stela" que a C&A receberá no dia 1º de fevereiro a cantora moderninha Christina Aguilera. A americana também criou roupas para a loja de departamentos e vem ao Brasil apresentá-las aos consumidores. As peças de Stella vão ser divulgadas ainda no primeiro semestre. Agora é esperar para ver como a estilista vai caber nas araras da C&A. Mimetismo capilar A salvação da cabeleira pode estar no caviar. Os componentes das ovas, como aminoácidos e proteínas, formam o mais novo e luxuoso tratamento de hidratação de cabelos da Kérastase, o Chronologist. Apelidadas de "mimétique de caviar", as bolinhas são misturadas a uma máscara "superenriquecida" e, com ela, recupera cabelos desgastados, ressecados e frágeis devido à exposição excessiva a raios UV, processos químicos e à chapinha de todo dia. Uma bela massagem coroa o final do tratamento, que está disponível apenas no MG Hair, em São Paulo, e no salão Care, no Rio. Por R$ 500. Kérastase: 0800 701 7237 A presidente da moda A presidente Dilma Rousseff vai se assumir como embaixadora da moda brasileira. Não só passa a prestigiar os criadores nacionais usando figurinos e acessórios em eventos públicos, como pretende viabilizar o desenvolvimento do setor. Com vinte dias de governo, num convite formalizado pelo Planalto, recebeu Paulo Borges, criador da São Paulo Fashion Week e do inMod (Instituto Nacional de Moda e Design) para uma audiência de mais de uma hora. O ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel também participou do encontro. "Foi uma conversa de gestores em que, pela primeira vez, houve interesse em entender os gargalos do processo e um reconhecimento pelo que já foi feito até aqui", diz Borges. A presidente, diz ele, tem um entendimento que a indústria da moda não pode ser tratada como fabricante de commodities. "Não basta desonerar o fornecedor de máquinas. Hoje, o criador financia todo o processo. Desde a compra da matéria-prima, o desenvolvimento do conceito, a fabricação, a distribuição, o varejo e só vai receber faturado, com sorte, em sessenta dias. É um negócio de altíssimo risco." Só no Brasil, destacou ele no encontro, existe a pronta entrega. "Lá fora, o varejo antecipa 30% do pagamento na encomenda. Assim, o comprador já tem o capital para financiar as coleções." Como o setor é dominado por pequenas e médias empresas, em geral familiares, a dificuldade é com o financiamento. "Este miolo da cadeia precisa ser desonerado, afinal é um produtor de riquezas e de empregos. Do contrário vamos sempre ficar dependentes de meia dúzia de investidores para se crescer." Borges saiu de Brasília com a convicção de que vai haver uma ação efetiva para o setor, que independe da criação do Ministério para as Pequenas e Médias Empresas. Sua missão imediata, contudo, já está definida: convidar os estilistas a criarem para a presidente. "Não sou stylist. Vamos providenciar opções de roupas e acessórios que ela vai usar quando e como quiser nos eventos, com o compromisso de divulgar o criador." Da moda I Borges foi a Brasília também para convidar a presidente Dilma para a 15ª edição da São Paulo Fashion Week, que vai de 28 de janeiro a 2 fevereiro. "Ela quer, mas tem uma missão na Argentina. E, se conseguir ir, será depois do dia 30." Com um investimento de R$ 15 milhões, o maior feito até hoje, o evento de moda vai reunir 31 grifes dentro do conceito "manifestear", um neologismo unindo manifestar com festejar. Afinal, são "15 anos de construção da cultura da moda brasileira", ressalta Borges. A cenografia deste ano é pautada pela "arquitetura simbiótica", a ideia de que o novo e velho podem conviver em harmonia. O que vai se traduzir em instalações com 100 mil cavilhas de madeira certificada, cascatas com 1,5 mil samambaias e dois espelhos com 100 mil litros de água. Os compradores internacionais vão se manter na média dos 15. "Já conquistamos a autoestima da moda brasileira. Agora são 15 anos para dar o salto do negócio da moda e é muito bom perceber que o governo federal está sensível a essa evolução." Com reportagem de Marjorie Umeda e Rebeca de Moraes