Após série de altas, Ibovespa sofre perdas de 1,21%

Veículo: Brasil Econômico
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Após série de altas, Ibovespa sofre perdas de 1,21%

O principal índice de ações do país, o Ibovespa, repercutiu dados negativos dos Estados Unidos e encerrou com forte baixa nesta quarta-feira (19/1). A reunião do Copom não abalou investidores. 

O Ibovespa fechou o pregão em desvalorização de 1,12% aos 70.058 pontos. Foram realizados 412.801 negócios que totalizaram R$ 5,929 bilhões em volume financeiro. 

Após uma sequência de altas, o índice paulista sofreu a influência do noticiário americano e marcou forte depreciação. 

A expectativa para o Housing Starts, que contabiliza o número de casas em início de construção nos Estados Unidos, foi frustrada. O número de casas em começo de obras no país em dezembro ficou abaixo das estimativas. 

"Esse indicador veio bem abaixo das expectativas e isso já deu um tom negativo à operação do dia", aponta João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos. 

Quem também não trouxe motivos para comemoração foi o Goldman Sachs, que divulgou nesta quarta-feira seus resultados trimestrais que também vieram aquém das expectativas. O banco reportou lucro líquido de US$ 2,387 bilhões no quarto trimestre, valor 52% menor do que os US$ 4,948 bilhões observados no mesmo período de 2009. 

"Com isso, a Europa saiu do foco do noticiário e o Ibovespa caiu bastante", aponta Brugger. "Junto com isso, o investidor realizou parte dos seus lucros recentes". 

Nesse contexto, a expectativa em torno da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) passou quase despercebida pelo mercado. "O aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros já está precificado desde dezembro", considera Brugger. Atualmente, a taxa Selic encontra-se em 10,75% ao ano.



Minerva 

No noticiário corporativo nacional, o destaque ficou para as ações do frigorífico Minerva (BEEF3). A companhia anunciou a compra do Frigorífico Pul no Uruguai por US$ 65 milhões, trazendo um novo fôlego para os papéis. 

Contrariando os movimentos comuns do mercado, que costumam forçar uma realização dos papéis diante de novas aquisições, essa compra trouxe alta para as ações da companhia. Brugger explica que a compra foi vista positivamente pelos investidores. "O mercado gostou da compra porque, embora o desembolso tenha sido alto para companhia, a compra foi barata, pois os múltiplos são muito atrativos", avalia. 

Os analistas da Itaú Corretora divulgaram um relatório avaliando a aquisição como uma diversificação geográfica estrutural bastante positiva. A instituição manteve a expectativa de desempenho em linha com o mercado para os papéis e o preço-alvo de R$ 8,5 por ação. 

As ações da companhia encerram o dia cotadas a R$ 7,13 com valorização de 3,48%.



Destaques 

Na ponta positiva do Ibovespa, destacaram-se as ações da Redecard (RDCD3) com valorização de 2,40% para R$ 20,48. 

Do outro lado, o destaque ficou para as units do Santander (SANB11) que perderam 3,96%. Brugger destaca que é natural que no atual contexto de incerteza quanto ao mercado europeu, em especial na Espanha, é natural que as ações do Santander tenham perdas em relação às de outras instituições financeiras. 

"As incertezas quanto à saúde financeira da Espanha avançam sobre as ações do banco", aponta.