Bancada do PT decidirá disputa de cargos através do voto

Veículo: Valor Econômico
Seção: Política
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Bancada do PT decidirá disputa de cargos através do voto

A ocupação dos principais cargos destinados ao PT no Senado na próxima legislatura deverá ser decidida no voto, na reunião da bancada (15 senadores), agendada para o dia 27. Há disputa para todas as vagas e, por enquanto, nenhum postulante concorda em abrir mão. Também há embate entre petistas do Senado pela função de líder do governo no Congresso, mas, nesse caso, a escolha é da presidente Dilma Rousseff. A vaga também é reivindicada pelo PMDB e pode se tornar mais um foco de conflito entre os aliados.

No PT, são candidatos a líder do governo no Congresso os senadores eleitos Walter Pinheiro (BA) e Wellington Dias (PI), da CNB, ex-governador cujo projeto é voltar a disputar o cargo em 2014. Um dos nomes do PT da Bahia para suceder o governador Jaques Wagner, Pinheiro é deputado federal e vice-líder do governo no Congresso há seis anos.

Além da experiência, pode contar a seu favor, segundo um dirigente do PT, o fato de integrar uma corrente menor do partido, a Democracia Socialista (DS). Sua escolha por Dilma daria um "perfil mais plural" ao PT que está no governo, já que a corrente majoritária tem hegemonia no ministério e, ao que tudo indica, nos cargos do partido no Congresso.

A principal função do líder do governo no Congresso é a negociação de matérias que são votadas em sessão conjunta das duas Casas (Câmara e Senado), principalmente o projeto orçamentário da União. O PT alega ter direito à vaga, porque o PMDB já tem o líder do governo no Senado, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que continuará.

A última líder no Congresso foi Ideli Salvatti (PT-SC), hoje ministra da Pesca e Aquicultura. Antes, a vaga era ocupada pela então senadora do PMDB, Roseana Sarney (MA), hoje governadora. Petistas dizem que, se o cargo voltar ao PMDB, pode ser o caso de o PT reivindicar a liderança no Senado, que já foi de Aloizio Mercadante, hoje ministro da Ciência e Tecnologia.

A disputa mais acirrada que a nova bancada do PT terá de decidir no dia 27 é pelo cargo de vice-presidente do Senado. O cargo é estratégico para o governo, já que o ocupante divide com o presidente da Casa - José Sarney (PMDB-AP) deve ser reeleito - o comando das sessões.

Estão disputando a ex-prefeita Marta Suplicy (SP) e o deputado José Pimentel (CE), ambos da CNB e ex-ministros do governo Lula. Marta pode ser candidata a prefeita de São Paulo ou ao governo do Estado. Pimentel tem projeto de concorrer a governador, mas enfrenta uma disputa interna no PT do Ceará com a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins.

Na última reunião da bancada, realizada dia 11, Marta era tida como favorita - entre outras coisas por ser considerada politicamente mais habilidosa que Pimentel. O novo líder, Humberto Costa (PE), que também integra a CNB, não vem tendo sucesso na tentativa de um acordo entre eles. O cearense está em campanha na bancada e, se os dois mantiverem suas candidaturas, deverá ser uma votação difícil - a primeira a nova bancada.

Além da vice-presidência do Senado, a bancada terá de escolher entre Delcídio Amaral (MS) e Eduardo Suplicy (SP) quem presidirá a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) pelos próximos dois anos. Atualmente já senadores, ambos têm atuação independente das correntes do partido. Economista, Suplicy reivindica o direito de presidir a CAE, comissão da qual é titular há 20 anos, desde seu primeiro mandato no Senado.

Segundo petistas, é mais fácil Delcídio abrir mão. Provável candidato a governador, ele atualmente é vice-presidente da CAE e, se não for escolhido para presidi-la, está disposto a disputar com Lindberg Farias (RJ) o comando da Comissão de Infraestrutura. Isso se o PT tiver direito a ela, o que dependerá das escolhas dos outros partidos, nas rodadas anteriores. Paulo Paim (RS) quer presidir a Comissão de Direitos Humanos ou a de Assuntos Sociais, se tiver chance.

Para tentar acomodar todos os interesses, a bancada aprovou a realização de rodízio entre eles (mudança a cada ano na liderança do partido e a cada dois, para cargos da mesa e comissões). O problema é que, de olho na visibilidade dos cargos, ninguém quer abrir mão de ser o primeiro.