Produção parada

Veículo: Valor Econômico
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Produção parada



Jeronymo Coimbra, diretor da ARP, fabricante de lingeries de Nova Friburgo, caminha entre fardos de algodão perdidos por causa da enchente: empresas da região tiveram instalações atingidas pelas águas e agora enfrentam o problema da falta de funcionários.

 

 

 

Triumph tem 30% dos funcionários desaparecidos

A fábrica da Triumph, uma das maiores confecções de roupa íntima do país, foi invadida pela água e pela lama. A rua que dá acesso a ela está soterrada por um morro que desceu inteiro, trazendo árvores e pedras. No entanto, como o complexo de cinco prédios que compõe a fábrica têm três andares, a empresa não perdeu a produção nem as máquinas, apenas parte do estoque.

Rua que dá acesso à Triumph foi soterrada e a fábrica foi invadida pela água e pela lama: prejuízos não foram calculados

Segundo o presidente da Triumph no Brasil, João Gomes da Silva, esse não é o pior problema da empresa, já que o seguro cobrirá todas as despesas. "Desde o primeiro dia, mobilizamos o nosso pessoal para começar a localizar os funcionários", conta. São 750 empregados, mas até agora cerca de 30% deles não foram localizados.

A indústria está parada. Os prejuízos ainda não foram contabilizados. O presidente da Triumph diz que, este mês, o faturamento deveria atingir R$ 7 milhões, já que é janeiro é um mês de vendas menores, e a produção, deveria ultrapassar as 660 mil peças de lingerie.

Na Nylorend, uma indústria média de lingeries instalada de frente para o rio Bengalas, um dos que cortam a cidade, a água da enxurrada jogou longe o portão e invadiu as instalações: fábrica, confecção e loja. "Não sobrou nada, foram embora também os computadores e os documentos dos bancos", relata a proprietária, Karina Machado. "Só em produto, perdemos cinco toneladas." Foram mais de dois metros de água que acabaram também com os desenhos das peças em renda fabricadas pela indústria. A Nylorend faturava até R$ 2 milhões por mês.

Perto de comemorar seu primeiro centenário, no dia 11 de junho, a Arp Fios e Bordados conta os prejuízos com as chuvas. Fabricante de fios de algodão, sintéticos e mistos, a Arp tem 180 empregados e R$ 26 milhões em faturamento anual. É uma das mais antigas empresas do Brasil e a primeira instalada em Nova Friburgo.

Na noite do dia 11 para 12, a fábrica de 35 mil m2 de área construída, também às margens do rio Bengalas, foi completamente alagada. Água e barro subiram a 1,5 metro de altura, atingindo toda a extensão das instalações, arrebentando os portões e muros e a estação de tratamento de efluentes.

Jeronymo Coimbra Bueno Filho, diretor da Arp, diz que havia formado um estoque de cerca de 150 toneladas de algodão, para evitar a alta recorde do preço do produto no mercado internacional. Todos os fardos estavam em um dos três galpões da fábrica e praticamente todo o material se perdeu.

"Encontrei fardo de algodão a dois quilômetros da fábrica", disse, desolado, Bueno Filho. Além do estoque de matéria-prima (algodão e fios sintéticos), a Arp teve danificadas quase todas as 200 máquinas de bordados e fiação. Três delas, recentemente importadas da Saurer, da Suíça, terão de ser levadas para reparo da parte eletrônica, em São Paulo. Bueno calcula em R$ 7 milhões as perdas incluindo os estoques, os reparos das máquinas e a interrupção de produção, caso ele consiga colocar a empresa para funcionar ainda esta semana.

A inundação da ARP afetou outra empresa, a Hak. Com 300 funcionários e faturamento anual de R$ 35 milhões, fabrica 26 milhões de metros por mês de aviamentos. A Hak aluga parte do galpão da Arp para as máquinas que fazem o encolhimento e a plastificação de fios. Trinta máquinas foram danificadas na noite do dia 11 e já foram enviadas para limpeza e recondicionamento na assistência técnica. (PM e JR)