Fórum Econômico Mundial diz que crédito global precisa dobrar até 2020

Veículo: Correio Braziliense Online
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Fórum Econômico Mundial diz que crédito global precisa dobrar até 2020 A oferta de crédito global precisa praticamente dobrar de tamanho nos próximos 10 anos, aumentando em US$ 100 trilhões, para dar suporte ao crescimento econômico mundial. Com isso, poderá chegar em 2020 a US$ 196 trilhões no pior cenário, considerando uma expansão global de 5,5% no período. Em um panorama mais otimista, esse montante poderá ultrapassar US$ 220 trilhões em 10 anos, se computado um avanço de 6,6% no mesmo intervalo. Os dados fazem parte do estudo Crédito com menos crise, feito pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), em parceria com a McKinsey & Company. O levantamento considerou a demanda em 79 países, responsáveis por 99% da oferta global. Ele será um dos instrumentos colocados à mesa de discussões dos principais líderes na edição anual do WEF, em Davos, na Suíça, a partir do dia 26. Em 2009, o volume praticamente dobrou em comparação com 2000, passando de US$ 57 trilhões para US$ 109 trilhões. “O aumento no crédito é necessário para dar apoio ao crescimento econômico mundial, mas, para atingir o montante previsto no estudo, é preciso que governantes e responsáveis pelas políticas econômicas estejam atentos a um superaquecimento da oferta de crédito a fim de evitar crises como a de 2008”, disse ao Correio a gerente de Projetos do WEF, Isabella Reuttner. Segundo ela, o estudo aponta uma redução da participação dos financiamentos governamentais e faz várias recomendações para a criação de um ambiente propício ao crédito sustentável. A economista acredita que é preciso aumentar a transparência e dar incentivos para o financiamento de setores-chaves da economia. Uma multiplicação por dois do crédito gera apreensão entre os especialistas, uma vez que existe um deficit na oferta de financiamentos nos países mais afetados pela crise global, como Estados Unidos, Irlanda, Grécia, Holanda e Itália. “Há realmente uma falta de crédito no mercado. O aumento previsto somente deve ocorrer em paralelo ao crescimento da economia real, da produção, do emprego e da renda”, disse o analista da SEG Soluções André Segadilha. “Não se pode inflar novamente o consumo com créditos podres, como ocorreu nos Estados Unidos, pois isso provocaria uma nova bolha.” Riscos A gerente do WEF também faz um alerta para os riscos de a oferta de recursos não ocorrer nos níveis apontados pelo estudo. “Se não houver aumento do crédito em alguns países, o efeito será a queda do ritmo de crescimento dessas nações”, disse. A pesquisa quase não trata da América Latina. Segundo as estimativas, a China deve registrar a maior expansão, afirmou Isabella. O país asiático saltaria de 6% do total da oferta de crédito no mundo para 12% entre 2009 e 2020, com a participação dobrando. O Brasil terá a terceira maior taxa de crescimento na próxima década: 9,8%, atrás apenas da Índia (12,8%) e da China, os outros dois países emergentes mais promissores no mundo. INVESTIMENTO DE R$ 51 BI » A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) informou que o Brasil recebeu R$ 51 bilhões (US$ 30,2 bilhões) em investimentos estrangeiros diretos (IED) no ano passado, montante 16% superior ao de 2009. O estudo, divulgado ontem, revelou que o fluxo de capital destinado à produção no mundo saltou de US$ 1,114 trilhão em 2009 para US$ 1,122 trilhão em 2010. O levantamento indicou que os países em desenvolvimento receberam mais recursos que as nações desenvolvidas, num volume recorde, que ficou acima dos níveis da década de 1970. O organismo também elaborou um relatório sobre a Situação Econômica Mundial e Perspectivas, no qual previu crescimento econômico global de 3,1% em 2011 e de 3,5% em 2012. Para o Brasil, a entidade estima avanço de 4,5% neste ano. Análise bem definida Novos padrões de análise de risco podem restringir a disponibilidade de crédito e prejudicar a economia se não forem cuidadosamente definidos, apontou relatório divulgado ontem pelo novo conselho de órgãos reguladores dos Estados Unidos. Segundo a agência, as regras devem, entretanto, reduzir o tipo de oscilação no valor dos papéis negociados no mercado que ocorreu durante a crise financeira de 2007 a 2009, quando o mercado imobiliário norte-americano sofreu um colapso. O Conselho de Supervisão de Estabilidade Financeira, liderado pelo Departamento do Tesouro e que inclui representantes dos principais reguladores do mercado de capitais, tinha a obrigação de emitir um relatório nos termos da nova lei de reforma financeira. Segundo o estudo, pedir aos bancos que retenham algum risco dos empréstimos pode ajudar a induzir melhores decisões de crédito e a mitigar alguns dos efeitos de estímulo econômico que podem levar a bolhas no mercado. “Entretanto, se for exageradamente restritiva, a retenção de risco pode inibir o crédito, o que pode prejudicar o crescimento econômico”, disseram os economistas no texto. “O desafio é estabelecer uma estrutura de retenção de risco que maximize os benefícios ao mesmo tempo em que minimiza os custos.” Atualmente, os reguladores debatem como melhor implantar uma nova regulação de risco que force os bancos a manter em suas carteiras de crédito ao menos 5% do valor dos empréstimos, em vez de transferir todo o risco para os investidores à medida que a dívida for revendida em operações no mercado secundário. Certas hipotecas poderiam ficar fora dessa exigência.