Classe C ganha moda mais barata

Veículo: Folha de Pernambuco
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Classe C ganha moda mais barata

Com poder de compra fortalecido e mais acesso ao crédito, consumidores antes marginalizados se transformaram na grande esperança da indústria fashion. Na Europa e nos Estados Unidos (EUA), já vêm de alguns anos as parcerias entre as maiores grifes e as cadeias de lojas que vendem roupas a preço de banana. Gigantes do fast-fashion como Zara e H&M viram seus lucros subirem às alturas quando resolveram lançar linhas assinadas por grifes como Karl Lagerfeld e, mais recentemente, Lanvin.

No Brasil, o boom da classe C já se reflete nas iniciativas conjuntas de grifes de luxo e grandes redes. O exemplo mais recente foi a coleção assinada por Oskar Metsavaht, dono da grife Osklen - uma das marcas brasileiras mais bem-sucedidas no exterior -, para a Riachuelo. As novelas também ajudam a incluir a classe C na guerra do estilo. A estilista Gloria Coelho não só vestiu a patricinha Melina (Mayana Moura), da novela “Passione’’, como lançou uma linha esportiva, com o nome da personagem. A C&A ampliou seu espaço em alguns shoppings transformando-se em loja-conceito. Lá, os consumidores encontram linhas especiais, como a da grife carioca Maria Bonita Extra. Os preços giram na casa dos R$ 60, enquanto numa loja da marca as peças chegam a custar R$ 2 mil ou mais.

Outro fenômeno é o da procura por consumidores das classes A e B fora do eixo Rio-São Paulo. Assim, mulheres que gastavam muito em lojas locais estão sendo assediadas pelas grifes que desfilam no Fashion Rio e na São Paulo Fashion Week. Muitas delas, herdeiras do agronegócio nordestino, pegam seus jatinhos e desembarcam em São Paulo e Rio para fazer compras de peso. O fenômeno guarda semelhança com o que ocorre nos EUA há tempos - Nova Iorque é o centro irradiador do hype, mas as grandes consumidoras americanas do seletíssimo grupo da alta-costura parisiense são as chamadas “rainhas caipiras’’ do petróleo texano.

O próprio crescimento da cadeia têxtil e de confecção brasileira, que faturou S$ 47,4 bilhões em 2009 e, segundo dados preliminares da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), chegou aos US$ 52 bilhões em 2010, ajuda a entender os motivos e os resultados dessa busca por novos consumidores. Alguns preconceitos do circuito fashion, enfim, terão de cair de moda em nome dos negócios.