Bovespa teve novo dia de baixa e dólar subiu a R$ 1,701

Veículo: Valor Econômico
Seção: Mercado
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A quarta-feira foi pautada pela instabilidade nos mercados locais e externos. Duas forças “brigaram” durante o dia: a possibilidade de rebaixamento da nota de crédito da Espanha e os dados positivos que estimularam firme movimento comprador durante parte do pregão no mercado americano. Por aqui, o tom negativo acabou prevalecendo. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu a linha dos 68 mil pontos e o dólar mostrou leve alta. Com outra dinâmica os contratos de juros futuros ficaram no aguardo da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) que será apresentada agora pela manhã. De volta ao mercado externo, a agência de classificação de risco Moody’s colocou a nota da Espanha em observação para possível rebaixamento. "As necessidades substanciais de financiamento da Espanha, não só para a dívida soberana como também para os governos regionais e bancos, deixam o país suscetível a novos episódios de estresse de financiamento", destacou a Moody's. O tom negativo da notícia contrastou com uma série de indicadores positivos sobre a economia americana, entre eles a produção industrial que subiu pelo quinto mês consecutivo. Os números deram força aos índices americanos que testaram máximas intradia não registradas em mais de dois anos. No entanto, as compras perderam força no fim do pregão e o Dow Jones caiu 0,17%, para 11.457 pontos. O S&P 500 cedeu 0,51%, a 1.235 pontos. E o Nasdaq perdeu 0,40%, a 2.617 pontos. Por aqui, as vendas prevaleceram desde a abertura do pregão e o Ibovespa terminou a jornada com baixa de 1,27%, aos 67.870 pontos, a menor pontuação do mês. O giro financeiro correspondeu a R$ 8,643 bilhões, sendo R$ 2,39 bilhões referentes ao vencimento do Ibovespa futuro. O contrato de dezembro foi liquidado e a referência passa a ser o índice para fevereiro. Na avaliação do analista sênior do BB Investimentos, Hamilton Alves, mais uma vez, foi a migração do investidor estrangeiro da Bovespa para Wall Street que levou à queda no pregão. O sócio-diretor da AZ Investimentos Ricardo Zeno também aponta que o vencimento do Ibovespa futuro foi responsável pelo descolamento do mercado doméstico das bolsas americanas durante a maior parte das operações, e também pelo volume mais forte do dia. “Além disso, o mercado ficou na expectativa de rebaixamento das notas de Portugal e Espanha, o que gerou certa aversão a risco”, pontuou. No câmbio, a formação da taxa seguiu o sinal externo negativo, que tirou força do euro e deu fôlego ao dólar, mas não com a mesma intensidade. No fim da jornada, o dólar comercial apontava alta de 0,35%, a R$ 1,701 na venda. O giro estimado para o interbancário somou US$ 1,8 bilhão, cerca de metade do registrado no pregão anterior. Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar pronto ganhou 0,41% e fechou a R$ 1,70. O volume caiu de US$ 277,5 milhões para US$ 118,25 milhões. Encerrando com os juros, os contratos futuros passaram o dia rondando a estabilidade, mas na última meia hora de pregão a curva futura ganhou uma divisão. Os vencimentos curtos seguiram estáveis, enquanto os longos apontaram para cima. Os investidores operaram no aguardo da ata do Copom. O documento revela a visão da autoridade monetária sobre o cenário econômico e mostra as justificavas que levaram à manutenção do juro básico em 10,75% ao ano. Na avaliação do economista chefe da Interbolsa do Brasil, Julio Hegedus, a ata deve sinalizar qual o peso das medidas macroprudenciais, como o aumento do compulsório e restrição ao crédito, na decisão de política monetária. Na visão do especialista, o objetivo das medidas foi adiar uma alta de juros. A taxa ficou estável agora em dezembro e o BC pediu tempo para avaliar o impacto das medidas. No entanto, diz Hegedus, não está claro se haverá alta já em janeiro de 2011. A percepção do economista é de que a equipe econômica no novo governo não mostra interesse em subir juros. Por outro lado, o novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, pode ir contra esse aceno e mudar a taxa como uma demonstração de autonomia da autoridade monetária. Observando a curva futura, Hegedus ressalta que o mercado está cedendo à ideia de juros estáveis também em janeiro. A curva, que chegou a colocar 0,5 ponto percentual de alta na Selic, carrega, agora, uma elevação de apenas 0,25 ponto. Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava estabilidade a 10,64%. Abril 2011 ganhava 0,01 ponto, a 10,92%. Julho de 2011 mostrava 11,36%, perda de 0,01 ponto. E janeiro de 2012 apontava 11,87%, alta de 0,02 ponto. Entre os mais longos, janeiro de 2013 avançava 0,05 ponto, a 12,32%. Janeiro de 2014 ganhava 0,07 ponto, a 12,28%. Janeiro de 2015 destoava e apontava estabilidade a 12,13%. Mas janeiro de 2016 subia 0,04 ponto, a 12,09%. Até as 16h10, foram negociados 870.930 contratos, equivalentes a R$ 79,48 bilhões (US$ 46,89 bilhões), queda de 37% sobre o registrado no pregão anterior e menor volume desde 16 de novembro. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 250.265 contratos, equivalentes a R$ 24,89 bilhões (US$ 14,68 bilhões). (Eduardo Campos | Valor)