Setor industrial reduz confiança na economia

Veículo: DCI
Seção: Economia
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Os empresários brasileiros continuam otimistas com relação ao futuro industrial do País. Mas houve um declínio frente à última leitura do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) , divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o diretor executivo da instituição, José Augusto Fernandes, dos 26 setores analisados, 18 esperam queda das exportações nos próximos seis meses. As expectativas, segundo o Icei, para os próximos seis meses registraram queda, de 0,8 ponto, recuando de 65,9 pontos em outubro para 65,1 pontos este mês. Apesar do recuo, o índice, atesta a CNI, "demonstra que os empresários permanecem otimistas com relação às condições futuras da economia". "Temos diversos problemas que reduzem a competitividade do produto nacional e comprometem a atração de investimentos para o País. Dentre eles estão a desvalorização do real, os custos de logística, a dificuldade de financiamentos para a indústria e a alta burocracia", argumenta o diretor da CNI. O indicador caiu 0,8 ponto de outubro para novembro, quando atingiu 62 pontos. O Icei varia de zero a cem. Valores acima de 50 indicam empresários confiantes. "Dentre as empresas questionadas pela CNI, 82,2% alegam que o câmbio é o principal fator de perda de espaço industrial frente a outros mercados, seguido dos altos custos portuários (41,5%). A burocracia, com 38,7%, teve como subfator preponderante o tempo de liberação de cargas (65,9%); a quarta razão do recuo do otimismo está nas barreiras tarifárias, mencionadas por 13% dos entrevistados", relatou Fernandes, durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Fernandes cita ainda que 45% das empresas possuem acúmulo de créditos (PIS, Cofins e IPI) parados nos caixas do governo. "E com isso não temos dinheiro para elevar exportações e não há realmente desoneração tributária." Na comparação com janeiro passado, quando o Icei atingiu recorde, chegando a 68,7 pontos, a queda foi de 6,7 pontos, diz a CNI. Apesar da queda, o Icei está acima da média histórica de 59,6 pontos. O estudo informa que os empresários da construção civil, com 63,5 pontos, e da indústria extrativa, com 64,1 pontos, significando crescimento de 1,9 ponto e 0,6 ponto, respectivamente, estão mais confiantes do que os da indústria de transformação, cujo indicador registrou 60,6 pontos, um recuo de 1,4 ponto sobre o mês passado. "O Icei dos três segmentos industriais pesquisados está acima de 60,0 pontos, o que realça o otimismo da indústria", afirma o documento. Mesmo com queda nos últimos meses, 18 dos 26 setores pesquisados mantém-se com otimismo acima de suas médias históricas. Dentre eles, setores cujo indicador está 4 pontos acima da média, como a indústria de outros equipamentos de transporte, plástico, minerais não-metálicos, edição e impressão, calçados, móveis e vestuário.