Quatro empresas do Norte de SC estão entre as 200 que mais crescem no Brasil

Veículo: Diário Catarinense
Seção: Economia
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Economia | 06/09/2010 | 10h33min

Grupos revelam os segredos para estar à frente quando o assunto é crescimento
Marina Andrade | marina.andrade@an.com.br

Quatro empresas do Norte do Estado estão entre as 200 pequenas e médias empresas que mais cresceram no País entre 2007 e 2009, segundo levantamento feito pela revista “Exame PME” e pela consultoria Deloitte.

Portátil, Grameyer, Lepper e Lojas Certo atuam em segmentos tão diferentes quanto varejo e fabricação de máquinas. Mas têm uma coisa em comum: a capacidade de crescer bem acima da média, em um cenário que misturou euforia e crise.

Juntas, elas faturaram R$ 187,64 milhões no ano passado, empregando quase 1,5 mil pessoas. Desde 2007, elas tiveram um crescimento médio de 17,43% ao ano. É quase cinco vezes mais do que o desempenho de economia brasileira. Veja a seguir os segredos de Alceu, Rodrigo, Gabriela e Emerson para estar bem à frente quando o assunto é crescimento.

INVISTA NAS PESSOAS

As vendas da Lepper saltaram de R$ 86,9 milhões, em 2007, para R$ 134 milhões no ano passado. A vice-presidente da indústria têxtil, Gabriela de Loyola acredita que o crescimento de mais de 54% é consequência do público escolhido como foco da empresa.

— Sempre trabalhamos voltados ao mercado interno, principalmente à classe C. Fomos beneficiados com o aumento de renda desta classe econômica e com o crescimento do poder aquisitivo da classe D. Enquanto na época de crise os concorrentes começaram a olhar para este público, nós já trabalhávamos com eles há muito tempo —, explica.

Mas esse não foi o único fator que influenciou no crescimento anual de 24%.

— Começamos a focar no público jovem e desde 2002 investimos em licenciamento de marcas. Conseguimos grandes parceiros pois demonstramos nossa —, diz a executiva.

Agora, a empresa passa por mais um processo inovador. A executiva conta que a Lepper está investindo em uma mudança do modelo mental, deixando de priorizar apenas a redução de custos para apostar no relacionamento. Entre as ações internas estão o treinamento e a valorização dos funcionários.

TENHA UM FOCO

Em 2004, depois de quatro anos com bons números em vendas, o crescimento da Portátil estagnou. A venda de notebooks se popularizou por meio dos grandes magazines e a empresa, especializada no produto, foi perdendo mercado. Foi quando o empresário Emerson Salomão decidiu não perder o foco e se especializou ainda mais no segmento.

— Começamos a criar a nossa marca própria em 2005. Hoje, a Avell produz 500 máquinas ao mês e é vendida em revendas de outros Estados —, orgulha-se o executivo.

A grande sacada foi especializar-se ainda mais. Salomão optou por investiu na qualidade dos produtos, apostou na garantia estendida e em assistência.

— Tratamos o notebook como uma ferramenta de trabalho e não como um eletrônico qualquer.

Para continuar crescendo, a empresa encontrou uma saída diferente.

— Vamos inaugurar nossa primeira franquia em Londrina. Foi uma forma de estabelecermos como meta chegar a 100 franquias em cinco anos —, revela.

Se os planos se realizarem, o parque fabril onde são produzidos os notebooks Avell será ampliado e deverá produzir cinco mil máquinas ao mês.

PROCURE INOVAR

Até 2007, a Grameyer, fabricante de equipamentos para geração de energia, crescia a um ritmo de 15% ao ano. Na época, a empresa de Schroeder, fabricava reguladores de tensão. Ao ampliar o foco de atuação, a expansão foi acelerada, passando para mais de 40% ao ano.

— Começamos a fazer equipamentos e soluções para usinas geradoras de energia, não apenas hidrelétricas, como também de fontes alternativas, e ampliamos nossa participação no mercado. Antes, atuávamos mais em São Paulo e Porto Alegre, e hoje estamos no mundo todo —, revela o presidente da empresa, Alceu Grade.

O executivo diz que o segredo do desempenho da empresa nos últimos três anos foi saber ampliar seu foco.

— Quando o mercado estava ruim, descobrimos novas formas viáveis de crescimento, com investimentos mínimos e retorno máximo. O segredo é não se acomodar. A inovação é a mola propulsora do desenvolvimento.

Nos últimos anos, a empresa dobrou sua capacidade fabril e passou de 60 funcionários em 2004 para 200 este ano. Para o próximo ano, os planos incluem a construção de uma nova fábrica de geradores eólicos em Schroeder, que deve receber investimentos de R$ 20 milhões.

OLHE PARA O CLIENTE

As grandes varejistas estão, cada vez mais, migrando para cidades de médio porte. A concorrência com as lojas locais e regionais é grande. E nesse cenário, tem gente encarando as grandes empresas de igual para igual. É o caso das Lojas Certo, uma rede sediada em Mafra e que tem dez lojas.

Desde 2007, ela vem crescendo a uma média de 15,5% ao ano, o dobro do ritmo do comércio catarinense, segundo o IBGE. O detalhe: há dois anos, a empresa não abre uma nova loja.

— É essencial saber olhar para dentro. Enxergar seus pontos fracos e trabalhar para melhorar continuamente. Dentro deste conceito, sempre procuramos ouvir nossos vendedores, pois eles são nosso contato direto com o cliente. Procuramos aprender a especificidade de cada município —, conta o sócio-diretor da rede Lojas Certo, Rodrigo Hirt.

A empresa já está fazendo os planos para seguir neste ritmo em 2011. A empresa vai oferecer artigos de cama, mesa e banho. Antes de lotar todas as lojas com os produtos, a empresa pesquisa o que a concorrência oferece, e promete dar destaque gradativo à linha, de acordo com a demanda de cada município. Duas novas lojas também estão no planejamento.

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