Produção interna e importação de máquinas impulsionam investimento

Veículo: Valor Econômico
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Juliana Ennes e Rafael Rosas | Valor
03/09/2010 11:41


RIO - O que mais explicou o crescimento do investimento foi a produção interna e a importação de máquinas e equipamentos, de acordo com a gerente coordenação de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis. Isso levou a formação bruta de capital fixo a registrar recorde de 26,5% no trimestre, após o recorde de queda registrado no segundo trimestre do ano passado, de -16%.

A indústria de transformação, que registrou alta de 13,8%, desacelerou em relação ao início do ano, quando registrou avanço de 17,2%. Dentro da indústria, o setor de maior avanço foi a construção civil, que apresentou recorde histórico - desde 1996 - ao crescer 16,4%. Rebeca lembrou que a maior parte da construção civil é considerada investimento. "É um dos componentes muito importantes do investimento", disse.

O avanço da construção civil pode ser muito explicado pelo crescimento nominal do crédito com recursos direcionados, que, segundo dados do Banco Central, avançou 34%. Houve também crescimento da ocupação nessa atividade, de 9,8% no segundo trimestre.

Os principais destaques da indústria de transformação foram de máquinas e equipamentos, metalurgia, veículos, madeira, material para escritório e material eletrônico. A extrativa mineral registrou avanço de 14,1% no segundo trimestre, seguido pela produção e distribuição de eletricidade, gás e água (10,8%).

A gerente do IBGE lembrou, no entanto, que o elevado nível de crescimento das importações de bens e serviços, de 38,8%, prejudica o resultado final do Produto Interno Bruto (PIB). A exportação de bens e serviços foi bem menor, de 7,3%. A taxa de crescimento das importações foi mais de cinco vezes superior à das exportações. "O comércio exterior está contribuindo bastante negativamente para o crescimento do PIB, que está ancorado no crescimento da demanda interna", explicou Rebeca Palis.

Ele lembrou ainda que a taxa de câmbio média de compra e venda, de R$ 1,79 entre abril e junho, favorece as importações em nível superior ao efeito do ano passado para o mesmo período, quando a taxa média de câmbio foi de R$ 2,07. Os destaques na pauta de importações foram da siderurgia, refino de petróleo, veículos e têxteis.

(Juliana Ennes e Rafael Rosas | Valor)