Indústria do País foi a 2ª mais afetada pela crise

Veículo: DCI
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Karina Nappi

O Brasil foi o segundo país do chamado grupo Bric (que ainda inclui Rússia, Índia e China) a ser mais afetado pela crise financeira internacional, de acordo com estudo divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o documento "Indústria Brasileira em Foco", a produção industrial brasileira recuou 2,5% entre setembro de 2008 e junho deste ano - impacto bem menor do que registrado na indústria russa, que teve queda de 32,1% no mesmo período. Já os setores industriais da Índia e da China foram mais resistentes à crise, uma vez que registraram crescimentos de 14,7% e 24,3%, respectivamente, desde o agravamento da turbulência global.

Para a CNI, portanto, a retomada da atividade industrial nos Brics está sendo diferenciada. A entidade destaca que, apesar do atual ritmo similar de crescimento das indústrias brasileira e indiana, o impacto no Brasil foi maior no fim de 2008, ocasionando essa diferença no acumulado desde então. Em nota, o economista da CNI Marcelo de Ávila considera que a queda mais acentuada na economia russa está relacionada à alta insegurança jurídica no país, enquanto o bom desempenho chinês é reflexo da adoção do câmbio desvalorizado, que preserva as exportações do gigante asiático. O economista também ressalta que, enquanto vários países desenvolvidos ainda patinam na crise, China, Índia e Brasil estão liderando o crescimento global. "Essas três economias serão preponderantes no cenário futuro, não só pelo ritmo mais forte de crescimento, mas pela robustez que têm adquirido no cenário econômico mundial", completa. Ávila disse que a indústria local deve zerar o recuo de produção ocorrido na crise.