Fiesp vê risco de desindustrialização

Veículo: Jornal do Brasil
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Da Redação

Embora destaquem recentes avanços, como o controle da inflação e o crescimento do mercado consumidor interno, a indústria brasileira diz temer a desindustrialização de setores afetados pelas importações.

Segundo Benjamim Steinbruch, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e que também preside a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), o real valorizado e a taxa de juros elevada têm provocado distorções e prejudicado parte do setor produtivo nacional, que não tem como competir com os produtos importados.

– Se por um lado talvez nunca tenhamos estado tão bem, por outro estamos vivendo um risco de desindustrialização – sublinhou Steinbruch , alegando que, em 2009, o déficit entre as exportações e as importações de produtos manufaturados atingiu US$ 35 bilhões, cifra que, segundo ele, deve aumentar para US$ 60 bilhões este ano: – Grãos e minério mascaram os resultados da balança comercial, mas, na verdade, em relação àquilo que tínhamos interesse em desenvolver, ou seja, os manufaturados de valor agregado, estamos em sério risco – concluiu Steinbruch.

O presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Pedro Luiz Barreiros Passos, observa que a concorrência externa representa um risco de redução dos empregos: – Estamos sobre uma ameaça de perdermos empregos qualificados para os nossos competidores internacionais, e temos que ter em mente a necessidade de ajustes de rumo sem perdermos as grandes conquistas que tivemos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, nega haver risco de desindustrialização e garante que, apesar da concorrência internacional, a indústria brasileira atravessa um “bom momento”.