Brasil e China: a ascensão econômica

Veículo: Jornal do Brasil
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Manuel Cambeses Júnior

Notícias veiculadas pela mídia internacional, na segunda quinzena de agosto, confirmaram o que já se suspeitava: a China superou o Japão em termos de PIB nominal e, consequentemente, converteu-se na segunda economia mundial. De sua parte, o Brasil, o gigante sul-americano, desbancou a Espanha do oitavo lugar que ocupava na lista das nações mais ricas do globo.

Certamente, isto não causou grande surpresa entre os analistas internacionais, haja vista que os dragões orientais e o portentoso país tropical consolidaram e potencializaram seus crescimentos de forma veemente, ativa e fecunda, enquanto as tradicionais potências econômicas mundiais se mantêm mergulhadas em preocupante crise, algumas tendendo para uma fase aguda e galopante Isso evidencia claramente o bom e próspero momento que vivem os dois países emergentes: China e Brasil.

A privilegiada posição alcançada pela China, superada apenas pelos Estados Unidos, é uma conquista de 30 anos de dinamismo de um estranho mix entre o duro regime comunista chinês associado a um permissivo liberalismo comercial, contrastando com os profundos problemas que afligem a economia nipônica. Os ritmos do “velho dragão chinês” são simplesmente impressionantes: há cinco anos sua economia era a metade da japonesa e, hoje, atingiu o patamar de maior exportador global, maior consumidor de energia e, o que é fantástico, a que conseguiu tirar o maior número de pessoas da extrema pobreza.

A China tem sido escrava de sua demografia. Ao dividir o seu portentoso PIB entre o número de habitantes, atinge níveis ir risórios, semelhantes ao de alguns países da África Subsahariana e da América Central. Entretanto, isto faculta aos dirigentes do Partido Comunista chinês tirar proveito dessa situação, utilizando o discurso de “nação subdesenvolvida” para não assumir compromissos próprios das grandes economias, como, por exemplo, no que concerne à redução do nível emissões contaminantes do planeta.

O envelhecimento de sua população, a escassez de mão de obra jovem e o baixo nível de consumo doméstico impõem limites para que o vigoroso deslanchar da economia chinesa mantenha o crescimento de dois dígitos, que tem registrado até o presente momento. Tudo isto sem incluir as profundas diferenças entre as regiões ricas e industrializadas e o interior ocidental pobre e rural, ademais do crescente dano ambiental.

Em contrapartida, contar com uma classe média chinesa dede pessoas – ou seja, do tamanho da população estadunidense –, sem voz ativa nem voto, gera, como corolário, no campo político, fortes pressões ao sistema comunista vigente, através de protestos e dissidências.

No que tange à política externa, transformar-se na segunda economia do planeta consequentemente incrementará a exigência internacional para que a China exerça um papel de ator mais ativo e protagônico nos assuntos internacionais, principalmente na abordagem do tema direitos humanos.

Em nível regional, o Brasil vem confirmando, gradualmente, sua condição de potência em desenvolvimento e país emergente.

Com uma economia bastante diversificada em indústrias e exportações, desde commodities até aeronaves, passando pela agricultura, ademais de um sólido consumo interno, o portentoso país sul-americano parece não ter sentido a crise, e estima-se que crescerá este ano no entorno de 8%.

As multinacionais existentes no Brasil estão se expandindo a outros países, enquanto que a inversão estrangeira no país aumenta consideravelmente. Estimase que firmas chinesas investirão 12 bilhões de dólares na economia brasileira.

Indubitavelmente, este protagonismo vivenciado pelas economias globais, exigirá um drástico reordenamento geopolítico, em nível mundial. Nesse processo, Brasil e China têm muito a colaborar servindo de paradigma às economias ditas de primeiro mundo.