Fiesp alerta para riscos à economia com importação

Veículo: DCI
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Fernanda Bompan

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, afirmou ontem que a importação brasileira traz riscos à economia como a moeda nacional valorizada, juros altos entre 5% a 6% e gastos públicos descontrolados. Ele fez as afirmações ao participar do 7º Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Durante sua palestra a economista e estudantes, Steinbruch elogiou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter o mérito de trazer 55 milhões de novos consumidores, mas ressaltou que, em função de a economia internacional não estar bem, a questão dos importados se torna um risco iminente para a política econômica adotada.

O presidente da Fiesp se referiu às turbulências internacionais como uma "crise serrote", devido à "inconstância", ao "sobe-e-desce lá de fora". Steinbruch disse que seus comentários não são uma crítica ao governo, mas um apoio, e se referiu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também participou do evento, como "sempre próximo".

"Desenvolvemos um modelo brasileiro que, eventualmente, pode ser replicado em outros países: salário, com mais renda e mais crédito, que se tornam mais consumo. Acho que nunca estivemos tão bem. É a primeira vez, nos 40 anos em que trabalho, que vejo o Brasil crescer voltado para dentro", disse o presidente da Federação das Indústrias.

Na avaliação de Steinbruch, os riscos desse modelo como a moeda valorizada, "vai nos custar caro em algum momento, quando estatísticas comprovarem o que o Brasil deixou de ter", assim como juros elevados, que fizeram com que muitos empregos deixassem de ser criados, e "gastos públicos descontrolados".

"Estamos vivendo mais um modelo de desindustrialização que de industrialização", afirmou, de modo a destacar o déficit na balança comercial de manufaturados. "Combustíveis, grãos e minério de ferro mascaram o resultado da balança. Temos ainda o risco de não atingir nossos objetivos, sendo um deles aumentar o valor agregado dos manufaturados brasileiros", disse ele, que também é presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).