Confecções promocionais recebem encomendas

Veículo: Valor Econômico
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    De São Paulo
    30/08/2010
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Na Art Cor Brasil, com sede em Poá (SP), a Copa de 2014 obrigou a empresa a comprar novas máquinas, diversificar a linha de produção e admitir funcionários. A indústria de confecções promocionais desenvolve acessórios, brindes personalizados e uniformes e pretende aumentar a capacidade produtiva em cerca de 20%, nos próximos 18 meses. "Compramos três máquinas automáticas para impressão, aumentamos o estoque de matéria-prima e ampliamos as instalações", assegura o diretor comercial Faber Lobo.

A empresa trabalha com impressão em serigrafia e implanta até outubro uma área de produção off set, que consome 20 vezes menos tinta do que o processo convencional. A estimativa é contratar 30 colaboradores para o novo setor. Além dos produtos tradicionais de linha, vai investir também no nicho de comunicação visual, com a fabricação de faixas, displays, bandeiras e camisetas esportivas. "A perspectiva é aumentar os negócios em 20% até 2012 e em 35% até 2014."

A meta de investimentos para a aquisição de novos equipamentos é de R$ 300 mil ao ano, com recursos próprios. "As empresas interessadas em fechar negócios durante a Copa devem criar e adaptar produtos, desenvolver novas tecnologias, organizar a rede de distribuição e capacitar pessoal", afirma Claudinei Santos, coordenador do núcleo de estudos em negócios do esporte da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A Art Cor Brasil existe desde 1994 e tem 100 funcionários. Fatura R$ 7 milhões por ano e começou como prestadora de serviços na área de serigrafia. Três anos após a fundação, entrou no ramo de confecções para eventos e promoções. Hoje, conta com um parque industrial de cinco mil metros quadrados de área construída, com capacidade para produzir 30 mil camisetas por dia.

Os principais produtos da companhia são camisetas promocionais, uniformes e sacolas ecológicas. Também entrega peças feitas a partir de garrafas PET. Atende empresas como Shell, Pernambucanas, Natura e Coral. "De quatro em quatro anos temos crescimento nas vendas, então temos de aumentar a produção para manter os clientes." A empresa apresenta uma média de evolução de 25% ao ano.

De acordo com Lobo, para sobreviver no setor, o planejamento é essencial. Em 2008, durante as comemorações de 100 anos da rede de lojas Pernambucanas, a empresa teve de produzir 800 mil peças, entre sacolas, bonés, camisetas e bolsas, em 50 dias.

Segundo José Carlos Pinto, da consultoria Ernst&Young, o setor têxtil deve crescer 3,1% em função da Copa, com um impacto positivo de R$ 580,4 milhões. "É importante estar atento para iniciativas de entidades como o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que desenvolvem programas para assessorar os micro e pequenos empresários na captura de oportunidades com a Copa", orienta. "A realização do evento no Brasil vai gerar negócios não apenas nas cidades-sede, mas também nas regiões do entorno."

Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), encomendada pelo Ministério do Turismo, 46% dos turistas que foram à África do Sul eram europeus de alta renda. Gastaram, em média, R$ 11,4 mil, e passaram 17,6 dias no país.

Para Lucas Copelli, da Vallua Consultoria de Gestão, os anos seguintes, após a Copa do Mundo, também deixarão um legado importante para os pequenos empresários. "Haverá mais capacitação para os empreendedores e maior sustentabilidade entre os pequenos negócios", garante. "As companhias que souberem atuar durante a Copa terão as receitas ampliadas e novos negócios serão montados."