EUA terão política mais severa para as importações da China

Veículo: DCI
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Da Redação

Gary Locke, secretário de Comércio dos Estados Unidos, anunciou 14 propostas que têm como objetivo combater práticas comerciais injustas que podem aumentar a tensão do país com a China. As medidas preveem, entre outras coisas, que as tarifas antidumping aplicadas pelos Estados Unidos passem a ser calculadas levando em consideração os custos trabalhistas dos produtos importados, assim como subsídios à exportação que esses produtos eventualmente recebam em seu país de origem.

"A administração Obama está comprometida a reforçar a prática das nossas leis de comércio, a fim de garantir um espaço justo para que as empresas norte-americanas e seus funcionários - motores do nosso crescimento econômico", disse Locke em um comunicado. As políticas devem ser implementadas nos próximos meses, após a realização de uma audiência pública sobre o tema.

A China tomou recentemente uma série de medidas para que sua moeda, o iuane, seja mais utilizada nos intercâmbios internacionais, mesmo que ainda não sofra conversão, e para reduzir sua exposição ao dólar americano, segundo os analistas.

Desde a crise financeira de 2008, o maior possuidor de reservas cambiais do mundo diversificou seus investimentos e levou as empresas a pagar suas compras em iuanes com o objetivo de limitar o fluxo de dólares que entra no país. "A crise do crédito em 2008 mostrou à China que os pagamentos em iuanes reduzirão a exposição do país a uma súbita falta de liquidez", segundo um trabalho dos especialistas Ben Simpfendorfer e Erik Lueth de Royal Bank of Scotland (RBS).

Apesar do êxito dos exportadores, o iuane só desempenha papel marginal nos intercâmbios internacionais porque é não é completamente convertível e o dinheiro não pode ser retirado da China com a mesma facilidade com que pode ser investido.

Bancos

Os grandes bancos da China estão começando a cortar empréstimos para projetos de governos locais, transitando em uma delicada fronteira entre apostar em risco ao sistema financeiro e manter o fluxo de dinheiro ao boom de infraestrutura que sustenta a economia do país, segundo The Wall Street Journal.

A disposição dos governos locais para tomar empréstimos por meio de companhias sem orçamento que eles formam e construir projetos de interesse público ajudaram a fortalecer a China durante a crise financeira global. No entanto, reguladores alertam que padrões frouxos para estes empréstimos acabarão gerando dívidas e o governo decidiu endurecer as regras nos últimos meses.

Ao mesmo tempo, Pequim defendeu que a maioria das dívidas que financiaram projetos de governos locais foi necessária e acabará se provando viável, e que os bancos da China continuam lucrativos. O Industrial & Commercial Bank of China acaba de anunciar aumento de 27% em relação há um ano no lucro líquido do primeiro semestre, para 84,6 bilhões de iuanes (US$ 12,44 bilhões) e o Banco da China também teve alta de 27%, para 52,02 bilhões de iuanes no mesmo período.

Os primeiros resultados do direcionamento do governo para limitar empréstimos a governos locais também estão aparecendo. O presidente do Banco da China, Li Lihui, afirmou que o volume de empréstimos a companhias apoiadas por autoridades locais caiu para 419,7 bilhões de iuanes no final de junho, 4,6 bilhões de iuanes a menos do que em dezembro. O total de empréstimos do banco subiu 9,8% no período.

O China Construction Bank informou que seus empréstimos a entidades de governos locais caíram para 580 bilhões de iuanes no final de junho, o que implica uma contração de 68,5 bilhões de iuanes, ou 11%.

Os Estados Unidos anunciaram ontem uma série de medidas que preveem a aplicação de tarifas a produtos vindos da China.