Setor Têxtil: déficit de US$ 1,5 bilhão no primeiro semestre

Veículo: JB Online
Seção:
Página:


No primeiro semestre de 2010, as exportações brasileiras da cadeia têxtil e de confecção,
desconsideradas as fibras de algodão, contabilizaram US$ 675 milhões que equivale a 143 mil
toneladas apresentando um crescimento de 20%, em valor, e 7,2%, em volume, comparadas ao
mesmo período do ano anterior. No mesmo período, as importações brasileiras contabilizaram US$
2,25 bilhões e 558 mil toneladas apresentando crescimento de 40,2%, em valor, e 63,3%, em
volume. Como resultado, a balança comercial do setor fechou o primeiro semestre do ano com
déficit de US$ 1,5 bilhão contra US$ 972 milhões registrados no primeiro semestre do ano passado.
Mantidas as mesmas condições, o setor têxtil e de confecção deverá fechar o ano de 2010 com
mais de US$ 3,5 bilhões de déficit em sua balança comercial. Segundo estudos do BNDES,
relacionando valor de produção e empregos, este déficit equivale a não geração de pelo menos 135
mil postos diretos de trabalho no Brasil. “Os números da balança comercial mostram que mesmo
com uma taxa de câmbio desfavorável à exportação, o setor tem se esforçado para manter e
expandir seus mercados externos, agregando valor aos seus produtos, através, principalmente, de
significativos investimentos em tecnologia, inovação, design, moda e serviços oferecidos aos
clientes”, explica Aguinaldo Diniz Filho, presidente da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil
e de Confecção). Os números também mostram que o mercado internacional, embora tenha
apresentado reação positiva, ainda não retornou os níveis pré-crise, o que dificulta ainda mais o
desenvolvimento das vendas externas do setor. Por outro lado, essa lenta recuperação dos grandes
mercados importadores continua gerando gigantescos excedentes produtivos, principalmente nos
países asiáticos que buscam novos mercados a qualquer custo. “Está claro que o Brasil tem sido um
dos estuários desses excedentes produtivos, dado seu grande mercado consumidor e o bom
desempenho econômico dos últimos anos”, explica Diniz. O agravante do resultado na balança
comercial do setor reside no desequilíbrio e deslealdade com que os produtos importados concorrem
com os fabricados no Brasil, já que os países exportadores, mais uma vez com destaque para os
asiáticos, praticam regularmente o dumping cambial, ambiental, social e trabalhista. Como se não
bastasse, ainda contam com subsídios governamentais para produção e exportação. “Neste sentido,
todo o foco da ABIT está voltado para a implementação da agenda de competitividade que envolve
medidas voltadas para desoneração tributária, especialmente sobre os investimentos e a
mão-de-obra, melhoria das linhas de financiamento, melhoria no treinamento e formação de
profissionais, aperfeiçoamento do sistema de defesa comercial, assinatura de acordos internacionais
com os grandes mercados consumidores, ações ligadas à inovação e meio-ambiente, entre outros”,
comenta Aguinaldo. Dados de Junho Somente em junho deste ano, os dados da balança comercial
do setor têxtil e de confecção brasileiro apresentaram resultados alarmantes que muito preocupam
os empresários que atuam no setor. O foco da preocupação está no segmento de vestuário, elo da
cadeia produtiva de grande valor agregado e cujas atividades afetam todos os demais elos
anteriores como fiações, tecelagens, malharias, etc. No mês, as importações brasileiras de vestuário
cresceram 88%, em volume, e 85% em valor, comparadas a junho de 2009, o que equivaleram a
4.650 toneladas e US$ 68 milhões. Das importações brasileiras de vestuário do primeiro semestre
de 2010, 63% foram provenientes da China e apresentaram preço médio de US$ 12,65 kg, contra
US$ 20,65 do resto do mundo, sendo o preço chinês 39% mais baixo do que a média dos preços dos
outros países. Enquanto isso, as exportações brasileiras de vestuário, no primeiro semestre de 2010,
tiveram uma média de preço de US$ 39,44 kg. No agregado, a balança comercial do setor têxtil e de
confecção apresentou, no mês de junho de 2010, déficit de US$ 280 milhões, resultado de
exportações de US$ 115 milhões e importações de US$ 395 milhões. O déficit deste último mês foi
87% superior ao déficit registrado no mês de junho de 2009, fruto das importações que aumentaram
60%, crescimento mais expressivo que as exportações que aumentaram 19%. Mesmo comparando
com o junho de 2008, ano que antecedeu a crise e que o mercado interno estava aquecido, houve
aumento de importação de 24% e queda nas exportações de 18%.