Renner melhora resultado com nova cobrança centralizada

Veículo: Valor Econômico
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    Por Daniele Madureira, de São Paulo
    30/07/2010
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Jefferson Bernardes/Divulgação
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Santos, novo diretor financeiro e de RI: tempo máximo de 12 minutos para analisar perfil de candidato ao cartão da loja

O efeito da crise econômica foi "educativo" para a Lojas Renner. Desde o ano passado, a rede varejista de vestuário procurou rever a sua política de crédito, implementando novos processos. Antes decidida por loja, a concessão de crédito passou a ser centralizada. Agora, uma equipe de 70 pessoas na sede da empresa, em Porto Alegre, é responsável pela análise do perfil do consumidor que deseja ter o cartão Renner.

O resultado foi visível no segundo trimestre deste ano, quando a taxa de inadimplência da rede caiu em mais de um ponto percentual em relação ao mesmo período de 2009, de 4,7% para 3,6%.

"Mas o tempo de análise chega no máximo a 12 minutos", diz o novo diretor financeiro e de relações com investidores da Renner, Adalberto dos Santos, ressaltando que, embora mais rígida na concessão, a empresa não quer deixar de "encantar" o cliente. Segundo Santos - que assumiu o lugar de José Carlos Hruby, que se aposentou -, a Renner mudou também a forma de cobrança.

"Agora temos uma equipe própria de 80 pessoas, que começa a cobrar a partir do quinto dia após o vencimento", afirma.

No trimestre, a receita líquida da companhia cresceu 14,4%, para R$ 702 milhões, enquanto o lucro líquido no período subiu 90%, alcançando R$ 91 milhões. A margem bruta da operação de varejo foi de 51,4%, uma alta de 4,1 pontos percentuais sobre o mesmo período de 2009. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) cresceu 57,8%, para R$ 156 milhões. Já a margem lajida subiu de 17,8% para 24,8%.

"Continuamos otimistas no segundo semestre em relação à demanda, uma vez que o nível de emprego continua alto, assim como o nível de confiança do consumidor", diz Santos.

A companhia abriu cinco lojas na primeira metade do ano e tem mais nove inaugurações até o fim de 2010. Entre elas, estão três unidades do novo modelo compacto que será testado em praças de diferentes regiões: Caxias do Sul (RS), Franca (SP) e Salvador (BA). A primeira loja de rua da Renner em São Paulo, inaugurada em maio na avenida Paulista, já está na lista das dez com melhor resultado.

A venda nas mesmas lojas cresceu 7,4% no segundo trimestre. A produtividade por loja aumentou 5,8%, para R$ 2.455 por metro quadrado. O tíquete médio da rede ficou em R$ 138,08, contra R$ 128,53 do trimestre anterior. O resultado de serviços financeiros foi de R$ 31,5 milhões, com alta de 85,5% sobre o segundo trimestre de 2009.

A emissão de cartões Renner recuou 10% no segundo trimestre deste ano, para 435,8 mil novos plásticos. A taxa de juros cobrada na modalidade "0 + 8" (oito vezes sem entrada) subiu de 5,9% para 6,9%. "Estávamos trabalhando com a antiga taxa há mais de um ano", diz Santos.