O custo do Brasil aos brasileiros

Veículo: Jornal de Santa Catarina
Seção: Economia
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PESO DOS IMPOSTOS

 

Por que pagamos tão caro por produtos que custam menos em outros países, desenvolvidos ou não

FLORIANÓPOLIS - O celular iPhone 3GS de 16 GB, da Apple, é vendido nos EUA por US$ 97 (R$ 176). Na melhor das hipóteses, chega às lojas brasileiras por um preço três vezes mais alto. Com o Corolla, da Toyota, o carro mais vendido no mundo, a conta é parecida. Além de pagarmos mais caro pelos produtos, ganhamos menos. O chamado Custo Brasil é a pedra no sapato do desenvolvimento brasileiro e, se não for retirada ou diminuída, pode atrapalhar a caminhada rumo ao crescimento de 6% do PIB ao ano.

Burocracia, falta de infraestrutura, encargos sociais elevados, ineficiência, valorização do real, alta concentração de empresas num mesmo setor e altas taxas de importação são alguns dos fatores que compõem o tal Custo Brasil.

A classe média é a mais prejudicada. Além de pagar mais imposto – 42,94% da renda bruta, contra 38,48% dos mais pobres e 41,63% dos mais ricos –, ainda tem de arcar com serviços particulares como escolas privadas e planos de saúde. Paga-se duplamente pelo mesmo serviço. Os dados são de um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

O complicado sistema tributário dificulta a formação de patrimônio, como explica o presidente do IBPT, João Eloi Olenike. Ele compara com os EUA e União Europeia, onde a taxação não incide tanto sobre o consumo, mas sobre o lucro e o patrimônio. A lógica é deixar fazer a riqueza para depois tributar. No Brasil, além de onerar o consumo, tributa-se o faturamento, que não é lucro, e o salário.

– É preciso saber quanto se paga de imposto. Mas o brasileiro só quer desconto, não quer saber. Senão, não elegeria governos tão populistas – critica Olenike.