Notícias

Redução da jornada de trabalho é rejeitada pela indústria

 
O presidente do Sintex, Ulrich Kuhn, acompanhou, em Brasília, no dia 9, a proposta do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), de redução gradual da jornada de trabalho semanal das atuais 44 horas para 42 horas, em dois anos, com compensações fiscais para as empresas - sujeitas a negociação com o governo. A reunião ocorreu no gabinete da presidência da Câmara e contou com a presença do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, e representantes das federações das indústrias de São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Todos foram contra a proposta do governo e a CNI defendeu ainda que a desoneração tributária sobre a folha de pagamento é uma exigência antiga do setor industrial, integra o Custo Brasil, exige outro debate e não poderia ser usada como moeda de troca.
 
Além de rejeitar a redução da jornada, o setor industrial manifestou repúdio ao fato das discussões estarem sendo realizadas neste ano eleitoral. Segundo Kuhn, há muita pressão por parte das lideranças sindicais laborais para que a votação seja feita este ano. O executivo afirma que o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), chegou a afirmar que tinha certeza que ninguém votaria contra a proposta neste ano de eleições. Mas, de acordo com Kuhn, a CNI foi muito firme e totalmente contra. “Não podemos aceitar negociação neste sentido. Estamos em um período crítico, sofrendo muita pressão, mas é a hora da classe empresarial se unir e mobilizar forças para lutar contra esta proposta de redução da jornada”, destaca.
 
Para todos os empresários presentes na reunião com Temer, a indústria nacional vai perder competitividade com o aumento de custo resultando de uma redução das horas trabalhadas. O presidente da CNI disse que a redução ou não da jornada de trabalho deve continuar sendo discutida livremente por empresas e trabalhadores, sem ser uma imposição legal.
 
O representante de Santa Catarina na comitiva, presidente em exercício da FIESC, Glauco Corte, disse que o setor industrial no Estado tem principalmente micro e pequenas empresas, intensiva mão de obra, e perdeu 12 mil empregos na crise, em 2008. Desses, teriam recuperado apenas dois mil em 2009. Portanto, não teria como suportar o custo da redução da jornada de trabalho. No caso das 40 horas, o impacto seria de 2% do custo da produção, segundo eles.


Compartilhe:

<< Voltar