De espectador a protagonista

Veículo: Jornal de Santa Catarina
Seção: Caderno Viver!
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PERFIL

 

Desde quando assistia tudo do canto da sala até usar a cadeira principal na mesa da diretoria, passaram-se quase duas décadas. Foi o tempo necessário para o jovem estudante, curioso em acompanhar o trabalho do pai, se transformar no presidente de uma das principais indústrias têxteis do país.

Giuliano Donini está há pouco mais de um ano no comando da catarinense Marisol, posto herdado do pai Vicente Donini. O processo de transição não está completo. Para Giuliano, talvez nunca esteja, já que a meta é continuar buscando novos aprendizados diariamente.

Natural de Jaraguá do Sul, Giuliano, quando adolescente, decidiu ir para o Paraná estudar arquitetura. Formado, voltou para Santa Catarina e para os bancos escolares. Começou a faculdade de Administração, mas não concluiu. Mais tarde, pensando no futuro dentro da empresa da família, fez especializações em moda e design na Itália e um MBA em gestão de negócios.

A meta era se aprofundar nos temas que, na verdade, sempre fizeram parte de sua vida. Quando criança, ele testemunhou pela rotina do pai a correria da vida de empresário. Já adolescente, nas férias escolares, acompanhou pela primeira vez uma reunião da diretoria da Marisol. Sentando no canto da sala, ao lado do irmão mais velho, sem dar uma palavra. Estava ali para ouvir e aprender.

Quando começou o processo de sucessão no comando da empresa, por uma iniciativa do próprio Vicente, os dois irmãos não tiveram rixas. Embasados por consultores e apoiados pelos demais executivos da empresa, aprovaram o nome do caçula dos Donini para a presidência.

Hoje, aos 34 anos, Giuliano vive a rotina de executivo, mas conciliando as demandas burocráticas com a proposta de trazer criatividade e inovação para a empresa, que acaba de completar 45 anos. Criatividade que se reflete até na mesa do presidente, decorada com uma colorida prancha de surfe, embora ele não seja surfista. Um pouco de descontração para o expediente que começa sempre antes das 7h.

A primeira atividade no escritório é ler pela internet as notícias de economia dos principais jornais do país e do exterior. Acumulando a presidência com a diretoria de Recursos Humanos, Giuliano gasta os primeiros dias da semana entre reuniões e conversas com os diretores locais.

Rotina pessoal

Adepto das facilidades promovidas pela tecnologia, resolve muita coisa por e-mail, mas sempre que pode prefere as reuniões pessoais. O olho no olho é importante para decidir os negócios. Quartas e quintas, geralmente viaja para encontros com parceiros de São Paulo ou então para o Rio Grande do Sul ou para o Ceará, onde a Marisol tem fábricas. Nas sextas-feiras tenta fechar toda a demanda pendente da semana, mesmo que isso signifique prolongar o expediente até a noite. Estados Unidos e Itália também entram com frequência no roteiro de viagens do empresário, fluente em inglês e italiano.

Mas vida de executivo não é só trabalho. Ainda aprendendo a se disciplinar para não atropelar a rotina pessoal, Giuliano, casado há dois anos, foge do computador nos finais de semana e já controla mais as chamadas no celular, o que era um problema maior num passado bem recente.

Nas noites, durante a semana, troca os noticiários por filmes leves e programas de entretenimento. Nos sábados, segue para Florianópolis e para Balneário Camboriú quando quer ficar sem fazer nada. Ou para São Paulo, quando a ideia é aproveitar a vida cultural e se reunir com amigos empresários que vivem na capital paulista.

O executivo Giuliano também possui uma estratégia diária para relaxar. Ainda antes de ir para o escritório, dedica uma hora para exercícios na academia. Com acompanhamento profissional, está treinando para correr maratonas de longa distância. Mais que um exercício físico, trata-se de um relaxamento mental.

Giuliano Donini fala com orgulho sobre o que aprendeu e ainda aprende com o pai. Hoje, ocupando o posto que já foi de Vicente Donini, fundador da Marisol, o filho caçula tem consciência do tamanho de seu desafio e humildade suficiente para reconhecer que o aprendizado não tem previsão de acabar.

alexandre.lenzi@diario.com.br

ALEXANDRE LENZI