Elas são as executivas superpoderosas

Veículo: Valor Econômico
Seção: Carreira
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Gestão: Ranking revela as mulheres com melhor desempenho no comando em todo o mundo.

Alison Maitland, do Financial Times - 30/09/2009

O "Financial Times" apresenta seu ranking das 50 mais bem sucedidas e poderosas presidentes de empresas do mundo, em colaboração com a empresa especializada em recrutamento de executivos Egon Zehnder International. Este ranking chega no momento em que a crise mundial voltou as atenções para o domínio masculino sobre o mundo corporativo: estaríamos melhores se mais mulheres estivessem no comando? Helen Alexander, primeira mulher a assumir a presidência da CBI, uma associação patronal do Reino Unido, diz que a diversidade é necessária para impedir o "pensamento em grupo" nos conselhos masculinos e brancos.

O relatório celebra líderes empresariais do sexo feminino em todas as partes do mundo. Apenas 3% dos diretores-presidentes da lista das 500 maiores empresas da revista "Fortune" são mulheres. Na Europa, 10% dos diretores de conselho das maiores companhias são mulheres (as cotas tornam a Noruega uma exceção, com mais de 40%); os números são ainda menores na Ásia. Isso é ainda mais surpreendente dadas as evidências de que um equilíbrio entre os sexos tem impacto positivo no desempenho.

E a respeito da governança? O colapso de alguns dos maiores bancos do mundo foi atribuído em parte à incapacidade dos diretores de fazerem perguntas duras. Um estudo do The Conference Board of Canada constatou que os conselhos com mulheres prestam mais atenção à auditoria e aos controles de risco do que os formados apenas por homens. Outro estudo feito nos EUA mostrou que os "boards" com mulheres são mais assíduos no monitoramento de áreas como o desempenho do principal executivo.

Algumas ainda fazem mudanças culturais profundas. Tome o exemplo da Xerox, onde as mulheres são um terço da equipe administrativa e onde Anne Mulcahy recentemente transferiu o comando para Ursula Burns, primeira mulher negra a liderar uma companhia da "Fortune 500". Mas um pequeno grupo de mulheres presidentes ou nos conselhos de administração não consegue carregar todo o fardo. Mudar exige uma liderança receptiva da maioria masculina. Pelo menos, a crise financeira tornou o argumento empresarial e moral a favor da mudança mais aparente do que nunca.

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Indra Nooyi, presidente do conselho de administração e diretora-presidente da PepsiCo é responsável por ter dado um "gás" aos lucros da companhia. Durante seu mandato, a fabricante de refrigerantes passou a ser líder mundial no setor de alimentos e bebidas. Nooyi nasceu na Índia e trabalhou na Johnson & Johnson e em uma companhia têxtil antes de se mudar para os Estados Unidos para fazer mestrado em Yale. Ela entrou para a PepsiCo em 1994 e subiu rapidamente, tornando-se diretora financeira em 2001 e diretora-presidente em 2006. Ao longo do caminho, Nooyi demitiu 3.300 funcionários e ofereceu US$ 6 bilhões pela compra das duas maiores engarrafadoras da PepsiCo. Ela também está promovendo uma mudança para produtos mais saudáveis e supervisionando um projeto filantrópico. "Nos fins de semana, cozinho em casa e faço tudo o que as pessoas normais fazem."

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"Ding-Dong! Avon chama", dizia o slogan da gigante dos cosméticos na década de 1960. Corte rápido para 2009 e a marca transformou a atriz Reese Whiterspoon em sua "representante mundial". Isso é parte da reinvenção que a presidente do conselho de administração e diretora-presidente Andrea Jung acredita ser crucial para o futuro da Avon. A recessão tem sido generosa com a empresa; as receitas superaram os US$ 10 bilhões e o recrutamento de vendedoras aumentou. Mas Jung, que sucedeu Charles R. Perrin em 1999, nem sempre teve momentos tão alegres. "2005 foi um ano muito difícil. Iniciamos um plano de crescimento sustentável agressivo e audacioso, que envolveu cortes de custos e iniciativas transformadoras para a marca." Jung, que se formou em Princeton, encoraja a próxima geração de executivas a ser ousada. "Só assim você ganhará participação de mercado."

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Uma executiva num setor dominado por homens com óculos de proteção é algo incomum. Mas isso nunca incomodou Anne Lauvergeon, apelidada de "Atomic Anne". Formada em física, ela trabalhou para a CEA, órgão de energia atômica da França, e em questões econômicas internacionais para o presidente François Miterrand. Em 1997, foi para a Alcatel supervisionar a área de energia nuclear. Dois anos depois, passou a comandar o grupo de combustíveis nucleares Cogema. Em 2001, cuidou da fusão da Cogema com a Framatome, que criou o grupo de engenharia nuclear Areva. Como diretora-presidente da Areva, que teve uma receita de €13,2 bilhões em 2008, ela é responsável por 75 mil funcionários espalhados por cinco continentes. "Você não pode conduzir tantas pessoas sem ter uma liderança direta e transparente", diz. Lauvergeon ainda encontra tempo para levar seu filho de seis anos à escola.

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Quando solicitada a explicar seu sucesso, Irene Rosenfeld menciona a experiência que teve na infância como capitã do time de basquete da escola, que ela regularmente levava à vitória. Diretora-presidente da Kraft desde 2006, ela se tornou também diretora do conselho de administração em março de 2007. Segundo a Kraft, cujos produtos incluem marcas como a Oreo, Philadelphia e Toblerone, os consumidores tiveram um maior discernimento financeiro durante a crise, optando por comer em casa. Uma tendência que ajudou a aumentar a receita da Kraft, equivalente a US$ 42 bilhões em 2008. Veterana do setor de alimentos, Rosenfeld liderou a expansão da Kraft na Argentina, Brasil e China. Este mês, ela fez uma proposta ousada de US$ 10,2 bilhões pela Cadbury. A fabricante de doces britânica esnobou a Kraft, mas Rosenfeld não descarta a possibilidade de fazer um takeover hostil.

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Güler Sabanci é considerada a rainha das finanças da Turquia. Sua companhia familiar, a Sabanci Group, foi fundada como uma pequena tecelagem de algodão por seu avô ainda na década de 1940. Atualmente, ela é um conglomerado com interesses em setores diversos, que vão do bancário ao de alimentos e produção de pneus, com operações em toda a Europa, Oriente Médio, África, América do Norte e América do Sul. Güler tornou-se diretora-presidente em 2004. A receita consolidada do grupo em 2008 foi de US$ 15,3 bilhões. Sabanci desafia a percepção da Turquia de um país que reprime as mulheres. "O problema do gênero sexual nos negócios não existe apenas em meu país, ele está no mundo todo. Se não nos concentrarmos no sexo e sim nos resultados, nas metas, nos projetos, nas conquistas, deixaremos tanto de ver isso como um problema."