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Empresários dizem que crise agora está no câmbio e pedem compensações

Veículo: Folha Online
Seção: Dinheiro
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A sétima reunião do Grupo de Acompanhamento da Crise, criado pelo Ministério da Fazenda, foi marcada pelas reclamações dos empresários em relação à valorização de real frente ao dólar.

A avaliação geral, de acordo com o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, é a de que já foi verificada uma recuperação mais ampla do setor industrial, com exceção dos negócios ligados às exportações.

Nesse ano, a moeda norte-americana já acumula uma desvalorização de 20%. Esse efeito, somado à crise financeira internacional, já reduziu o comércio do Brasil com o exterior em cerca de 25% nesse ano.

Para compensar essa queda, o setor industrial pediu ao governo compensações na área tributária. O presidente da CNI citou, por exemplo, a desoneração da folha de pagamento, que já vem sendo estudada pelo governo.

Também foi discutida a questão da utilização de créditos tributários. Nesse caso, segundo Monteiro Neto, o maior problema está na questão do ICMS, o que depende da negociação com os Estados. A questão do crédito-prêmio de IPI não foi discutida no encontro de hoje.

"Esse grupo, que é chamado de Grupo de Acompanhamento da Crise, acho que poderíamos apelidar ele como um grupo que tem de se voltar para uma agenda de aumento da competitividade da economia brasileira", afirmou o empresário.

O presidente da Anfavea (associação das montadoras), Jackson Schneider, também afirmou que a questão das exportações continua sendo o grande problema do setor, que registrou forte recuperação das vendas internas após a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no começo do ano.

"Em relação a essa queda nas exportações, existe uma questão conjuntural. Mas há também uma questão relacionada à estrutura tributária, ao custo de logística e ao acesso ao crédito", afirmou.

Fundos

De acordo com o presidente da CNI, o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou, durante o encontro, que o governo concluiu o aporte de capital nos dois fundos de aval utilizados para alavancar o crédito para médias e pequenas empresas.

Em maio, o governo anunciou que usaria dois fundos --um do BNDES e outro do Banco do Brasil--, com R$ 4 bilhões, para garantir empréstimos no valor de mais de R$ 40 bilhões.

"O governo completou a integralização de capital nesses fundos, que passam a ser operacionais a partir de hoje", disse o presidente da CNI.


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