Emprego industrial caiu 5,1% no 1º semestre, maior queda em 8 anos

Veículo: O Estado de S. Paulo
Seção: Economia
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Recuo foi disseminado por todas as 14 regiões pesquisadas pelo IBGE e em 15 dos 18 segmentos da indústria

O nível de emprego na indústria seguiu o comportamento de perda de produção do setor e apresentou queda recorde nos seis primeiros meses do ano. O número de ocupados caiu 5,1% na comparação com o mesmo período do ano passado, o maior tombo desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2001.

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a queda de 6,6% também representou a pior taxa negativa nessa base de comparação. No semestre, o recuo foi disseminado por todas as 14 regiões e em 15 dos 18 segmentos.

"O setor industrial foi o mais atingido pela crise e a situação do emprego na indústria fica sendo mais delicada", disse Isabella Nunes, gerente de Análise e Estatísticas Derivadas da Indústria do instituto.

O recuo no emprego ocorreu especialmente em São Paulo (3,9%) e Minas Gerais (6,7%), Estados que, juntos, correspondem a 47% da ocupação no setor. Entre os setores, os destaques de queda foram vestuário (9,1%), meios de transporte (7,6%), calçados e artigos de couro (10,6%) e produtos de metal (8,3%).

Por outro lado, segmentos como papel e gráfica, minerais não metálicos, refino de petróleo e produção de álcool apresentaram contribuições positivas. Na comparação de junho com maio, as perdas totais no emprego industrial mostraram desaceleração. O recuo ficou em 0,1% em junho ante o mês anterior, retornando ao mesmo nível de outubro de 2008.

Para o economista José Marcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), apesar de fraco, o emprego industrial pode esboçar uma recuperação nos próximos meses. "A queda está perdendo intensidade. É provável que em algum momento desses próximos meses haja alguma reversão, se a economia continuar com uma trajetória de retomada", afirma Camargo.

O desempenho dos últimos trimestres exemplifica essa perda de ritmo no recuo do emprego. No primeiro trimestre a queda foi 3,9% ante o período anterior; no segundo trimestre, nessa mesma base de comparação, ficou em 2,1%. O número de horas pagas na indústria, que costuma servir como antecedente de contratações, avançou 0,5% em junho ante maio e interrompeu uma sequência de oito quedas consecutivas.

"(O aumento no número de horas pagas) ainda não é uma tendência, precisa ser confirmada, mas faz um movimento interessante porque interrompe uma série de resultados negativos", disse Isabella Nunes. Na comparação entre junho e o mesmo mês do ano passado, o número de horas pagas ainda apresenta recuo de 6,9%.

Para Rogério César de Souza, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os dados mostram uma perspectiva de retomada. "As horas pagas são um dado auspicioso. Existe um caminho para uma recuperação, já que o ajuste na produção já foi feito", disse Souza.

A folha de pagamento caiu 1,7% na passagem de maio para junho. Já em relação ao mesmo mês do ano passado, o recuo foi de 2%.