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O que não se sabe a respeito da recuperação

Veículo: Estadão
Seção: Economia & Negócios
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Joe Biden*
Há seis meses, quando o presidente Barack Obama e eu assumimos as nossas funções, nos deparamos com uma crise econômica nunca vista em toda a nossa vida. A nação estava sofrendo uma verdadeira hemorragia de empregos, mais de 700 mil eram eliminados por mês, o mercado da habitação se encontrava em queda livre e o destino do sistema financeiro estava por um fio.

Economistas de grande prestígio avaliavam a probabilidade de uma depressão. As medidas que nós adotamos - a aprovação da Lei da Recuperação da economia americana, a estabilização do sistema bancário, as pressões para a restauração do crédito e a ajuda aos proprietários de casas responsáveis - permitiram que o país recuasse da beira do precipício.

A perda de empregos está diminuindo, os mercados financeiros melhoraram e a contração econômica se reduziu. Entretanto, ainda temos um longo caminho a percorrer, mas claramente hoje estamos mais perto da recuperação do que em janeiro. A Lei da Recuperação foi crucial para esse progresso.

Mas, apesar disso, a natureza da Lei da Recuperação continua mal entendida e mal interpretada por muitos: os críticos sugerem que os US$ 787 bilhões estão sendo gastos em programas e casos específicos. Como eu sou o responsável pelas iniciativas do governo para a execução dessa Lei, quero desde já deixar claras algumas coisas.

A parte mais importante da Lei - mais de um terço - refere-se aos cortes dos impostos: consequentemente, 95% dos trabalhadores americanos constataram a redução dos seus gastos com impostos. A segunda parte - pouco menos de um terço - diz respeito à ajuda direta aos governos estaduais e aos indivíduos. Esses recursos permitem que os governos estaduais deixem de demitir professores (14 mil somente na cidade de Nova York), bombeiros e policiais, e impedem que os déficits dos orçamentos estaduais cresçam ainda mais.

As pessoas mais afetadas pela recessão obtiveram uma prorrogação dos benefícios do seguro-desemprego, da cobertura da assistência médica e outras formas de ajuda para saírem destes tempos difíceis.

Isso posto, dois terços da Lei não financiam "programas", mas visam diretamente ao corte dos impostos, ao repasse aos governos estaduais e às famílias necessitadas, sem burocracia e sem demora.

Quanto ao último terço, a lei está financiando os maiores investimentos em estradas desde a criação do sistema de rodovias interestaduais; projetos de construção em bases militares, portos, pontes e túneis; a limpeza há muito tempo necessária das áreas mais deterioradas por lixo tóxico do programa Superfund; a criação de empregos no campo da energia limpa do futuro; melhoria dos sistemas ultrapassados de fornecimento de água nas zonas rurais; modernização dos sistemas de transporte de massa e ferrovias saturados; e muito mais.

Hoje, esses investimentos criam empregos - e sustentarão a expansão econômica no futuro. Longe de ser negativa, a ampla gama desses investimentos é imprescindível, considerando a incrível diversidade da economia americana.

Os projetos estão sendo escolhidos independentemente do repasse de verbas destinadas a projetos específicos dos políticos locais ou de outras considerações políticas, e são até mesmo apresentados muitos contratos de orçamento mais baixo.

Foram aprovados mais de 30 mil projetos, e outros milhares estão sendo postados no site "recovery.gov" - o que proporciona um grau muito grande de transparência e de responsabilização. A esse propósito, os contribuintes precisam saber que não hesitamos em rejeitar propostas que não atendem aos nossos padrões baseados no mérito.

O cuidado com o qual estamos pondo em prática os dispositivos da lei fez com que alguns indagassem se não estaríamos avançando devagar demais. Mas a lei tem como propósito proporcionar um firme respaldo à nossa economia por um amplo período de tempo - e não um empurrão que duraria apenas alguns meses.

Em vez de reduções momentâneas, estamos proporcionando aos americanos um corte dos impostos em cada cheque do pagamento. Em vez de o Estado desembolsar imediatamente o total dos recursos da ajuda, decidimos estendê-la ao longo dos dois anos durante os quais será necessária. Projetos de estradas, projetos de energia e projetos de construção começam assim que são aprovados; os contratos são muito competitivos, e os sistemas de informação já estão funcionando.

Mesmo com todo esse cuidado, já comprometemos mais de 25% do total dos recursos da Lei de Recuperação, e deveremos cumprir o prazo fixado quando a lei foi sancionada, em fevereiro deste ano. Até o fim de setembro de 2010, teremos aplicado 70% dos recursos prometidos.

A Lei de Recuperação não é uma panaceia para os males da nossa economia - nenhuma legislação poderia ser. Mas quantas iniciativas do governo poderão destacar ao mesmo tempo a apresentação de um grande número de projetos de orçamento menor, e um Escritório Geral de Contabilidade do governo que conclui que estamos adiantados em relação ao prazo em áreas fundamentais?

Entretanto, o esforço da lei que pretende sanar variados problemas a torna um alvo fácil de críticas. De fato, alguns argumentam que os cortes dos impostos são pequenos demais (ou grandes demais), que uma ajuda excessiva (ou insuficiente) está sendo destinada às áreas rurais, e que poucos recursos (ou recursos demais) estão sendo gastos com estradas. Recentemente, alguns chegaram a criticar a lei por ajudar a financiar a sopa dos pobres e os bancos de alimentos.

Mas na minha opinião, nossa abordagem equilibrada leva em conta que não há remédios definitivos, não existe uma coisa só capaz de atender às múltiplas e complexas necessidades da imensa economia dos EUA.

Precisamos de ajuda, de recuperação e de reinvestimentos para fazer frente à nossa crise multifacetada - e 159 dias depois de ela ser sancionada pelo presidente Obama, a Lei da Recuperação da economia americana já trabalha para responder a essas três necessidades.


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