Sob efeito do câmbio, lucro de empresas cai 1,9% em 2008

Veículo: Diário do Comércio
Seção: Mercado
Página: www.dcomercio.com.br


Segundo estudo da Economática, lucro de 326 empresas analisadas totalizou R$ 126,332 bilhões
Agência Estado - 2/4/2009 - 17h09

SÃO PAULO - O impacto da valorização do dólar nas dívidas e a aposta de algumas companhias em operações com derivativos levaram o lucro líquido das empresas brasileiras de capital aberto a cair 1,9% em 2008, na comparação com o ano anterior. De acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira, 2, pela Economática, o lucro de 326 empresas analisadas totalizou R$ 126,332 bilhões, frente R$ 128,783 bilhões. "Os balanços mostram que a queda brutal do lucro das empresas não tem relação com o desaquecimento da economia, que teve pouco efeito nas receitas em 2008. A principal causa foi o efeito cambial no endividamento", destacou o presidente da Economática do Brasil, Fernando Exel, em entrevista à Agência Estado.


O resultado foi impactado principalmente pelos indicadores do setor de Papel e celulose, que além do elevado nível do endividamento em moeda estrangeira foi um dos grandes protagonistas das operações de derivativos especulativos feitas no ano passado. As sete empresas do setor analisadas no levantamento registraram prejuízo líquido conjunto de R$ 6,369 bilhões em 2008, ante um lucro líquido de R$ 3,039 bilhões em 2007. A Aracruz, que juntamente com a Sadia se destacou entre os principais perdedores do Brasil ao apostar nesse tipo de operação, apurou prejuízo líquido de R$ 4,194 bilhões, revertendo o lucro de R$ 1,044 bilhão do ano anterior.

A contrapartida ao fraco desempenho dos fabricantes de papel e celulose foi o resultado da Petrobras, cujo lucro líquido cresceu 53,3%, segundo a Economática, de R$ 21,512 bilhões em 2007 para R$ 32,988 bilhões no ano passado. A Vale também registrou expansão no lucro líquido entre 2007 e 2008. O resultado da empresa cresceu 6,4%, de R$ 20,006 bilhões em 2007 para R$ 21,280 bilhões em 2008.

Se desconsiderados os resultados das duas empresas, donas dos maiores lucros do País, o desempenho das companhias brasileiras teria caído 40,6% (o equivalente a uma perda de R$ 26,677 bilhões), de R$ 65,753 bilhões em 2007 para R$ 39,076 bilhões no ano passado.

Dos 21 setores analisados pela Economática (Petrobras e Vale são analisadas de forma separada) cinco registraram prejuízo líquido em 2008. Além de papel e celulose, entram nessa lista as áreas de Alimentos e bebidas (prejuízo de R$ 195 milhões), Mineração (R$ 1,276 bilhão), Transporte e Serviços (R$ 1,279 bilhão) e Química (R$ 2,507 bilhões). No ano anterior apenas o setor têxtil havia registrado prejuízo, de R$ 469 milhões.

Com exceção do setor de Transporte e serviços, as demais áreas são representadas por companhias com atuação representativa no mercado externo. "As exportadoras, como têm grande parte da receita em dólar, fazem tradicionalmente operações para proteger as receitas na eventualidade de uma queda do dólar. O que aconteceu agora foi que as empresas exageraram", disse Exel.

O setor Bancário, representado por 28 empresas, totalizou lucro líquido de R$ 29,250 bilhões em 2008, uma retração de 2,8% sobre o resultado de 2007. Apesar desse resultado, os bancos se mantiveram à frente de todos os setores como a atividade mais lucrativa do Brasil, superando inclusive Energia Elétrica, que entre as atividades produtivas foi o destaque - desconsiderados os resultados da Petrobras e da Vale. O lucro líquido conjunto das 40 empresas do setor energético analisadas totalizou R$ 19,501 bilhões, alta de 19,4% sobre 2007. "O setor energético, assim como a área de telecomunicações, tem dívida mais comportada, por isso não sentiram tanto impacto do câmbio", ressaltou Exel, após reforçar que o resultado operacional das empresas brasileiras foi positivo no ano passado.