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A migração das costureiras

Veículo: Jornal de Santa Catarina
Seção: Economia
Página: www.santa.com.br


Com FGTS no bolso, trabalhadores do setor têxtil resolvem mudar de ramo ou abrir negócio próprio 

 
BLUMENAU - Oitocentos e treze trabalhadores pediram demissão do setor têxtil em janeiro e fevereiro. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem (Sintrafite), a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é a responsável pelas baixas, em volume 43% maior do que no mesmo período de 2008. Com dinheiro no bolso e o comércio contratando, as costureiras resolvem mudar de vida. Cerca de 80% delas, segundo o Sintrafite, pretendem migrar para o comércio, de olho no potencial de ganhos com comissões. Dez por cento vão abrir um negócio e outros 10% apenas trocam de empresa. Contudo, a vontade de se tornar empresário pode acabar em frustração. O professor de Empreendedorismo da Furb Oscar Dalfovo é taxativo:

– Cinco por cento dessa turma terá sucesso. O restante não irá sobreviver. Faço pesquisas periódicas sobre casos como esses e sei que 90% dos que querem abrir um negócio próprio arriscam de olhos fechados. Trocar do têxtil para o comércio pode ser uma experiência traumática. Quem não conhece o segmento e a sazonalidade do comércio vai se dar mal.

Celestina Pereira assinou o documento de rescisão sexta-feira passada. Após sete anos de trabalho em uma indústria têxtil, vai abrir uma mercearia. Ela não tem experiência na área, não procurou informações sobre o assunto e mesmo assim vai investir o dinheiro do FGTS no sonho:

– Eu sempre quis o meu negócio. Estou para me aposentar e quero sossego.

No Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em Blumenau, a procura por consultoria empresarial, que é gratuita, aumentou 17% em relação ao início do ano passado. O agente de Articulação do Sebrae Antônio Hélio Oliveira de Souza endossa as declarações do professor Dalfovo: sem preparação não há negócio que dê certo.

– Percebi que o FGTS tem influência direta com a procura pelos nossos serviços – constata Souza.

raffael.prado@santa.com.br

 



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