Indústria do Vale sente alta do dólar

Veículo: Jornal de Santa Catarina
Seção: Economia
Página: www.clicrbs.com.br/jornais/jsc

Empresas importadoras terão margem de lucro reduzida, mas exportadores podem se dar bem

 
 

A crise financeira mundial chegará ao Vale do Itajaí, garantem especialistas. Segundo o economista Ralf Ehmke, da Furb, a indústria têxtil, que hoje exporta um percentual baixo da produção e ainda importa parte das coleções, deve sentir mais os efeitos negativos da desvalorização do real. Já o setor metal-mecânico, com bons contratos de exportação, pode incrementar a rentabilidade.

- Quem tem contratos de exportação vencendo pode se dar bem - analisa o economista da Furb.

Quem importa, no entanto, pode ver a rentabilidade encolher. É o caso da Fogatti Eletrodomésticos, empresa blumenauense que fabrica fogões, fornos e coifas. Com 30% do faturamento proveniente da importação de produtos, peças e insumos, a empresa está se preparando.

- A elevação do dólar causa insegurança e compromete parte da margem de lucro, mas acredito que neste momento há muita especulação e daqui a pouco a coisas se acalmam - avalia Rubens Simas de Araújo, diretor da Fogatti.

Ele observa que é possível sustentar menor rentabilidade por algum tempo, para não perder clientes, e recompor as margens quando a cotação do dólar voltar ao equilíbrio, que ele estima em R$ 2. O presidente do Sintex, Ulrich Kuhn, diz que a crise atual tem um agravante: reduziu a liquidez internacional e restringiu o crédito.

- O crescimento da economia é estimulado pelo crédito. Quando ele fica escasso, o crescimento fica comprometido como um todo - analisa Kuhn.

Ao investidor comum, a hora é ruim para comprar dólares de olho na valorização. Ehmke acredita que o valor do dólar vai cair ainda mais, para conter a desvalorização do real.