Consumidora sofre para vestir bem

Veículo: Jornal de Santa Catarina
Seção: Economia
Página: www.clicrbs.com.br/jornais/jsc

Indústria do Vestuário
Pesquisa da Furb revela que roupas à venda no comércio não combinam com medidas das blumenauenses
JULIA BORBA

 
 

BLUMENAU - Ao escolher uma peça de roupa, o desejo do cliente é que ela se ajuste perfeitamente às medidas do corpo. Mas nem sempre isso é possível. Existe uma infinidade de modelos e tamanhos P, M e G nas lojas da cidade. E as consumidoras, muitas vezes, têm de optar por um tamanho acima ou abaixo do ideal.

Esse foi o resultado de uma pesquisa feita pelo curso de Moda da Furb. Os dados foram apresentados sexta-feira à tarde, durante palestra no Seminário Tecnológico da Feira Brasileira para a Indústria Têxtil (Febratex), ministrada pela professora coordenadora do projeto Sem Regime, Márcia Bronnemann.

Foram entrevistadas 2,7 mil mulheres em sete faixas etárias distintas. Adolescentes de 14 anos até mulheres com mais de 60 tiraram medidas de quadris, busto e cintura. A maioria das consultadas disse que, quando vai às compras, geralmente volta para casa insatisfeita.

Cerca de 40% das mulheres entre 14 e 59 anos vestem blusas, calças, vestidos e saias de tamanho M. Na faixa etária superior a 59 anos, aproximadamente 40% das blumenauenses vestem roupas tamanho G.

Apesar de a Associação Brasileiras de Normas Técnicas (ABNT), por meio da norma NBR 13377, dar um referencial das medidas do corpo humano para o vestuário, ela não padroniza os tamanhos como P, M e G. Segundo a professora do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (CETIQT), Patrícia Dinis, as confecções criam tabelas próprias de tamanhos e trabalham com o sistema de erro e acerto. Desse modo, justificam-se as diferenças de modelagens de uma marca para outra nas lojas.

- O objetivo é pressionar o mercado para se ter um padrão de modelagem. A escolha de roupa nova mexe diretamente com a auto-estima das mulheres - explica Márcia Bronnemann.

Ela cita o constrangimento de pedir calça 42, por exemplo, e não entrar nela. Culpa da modelagem sem padrão.

A pesquisa também consultou 59 lojas de Blumenau para saber quantas peças elas compram de um determinado tamanho e quantas realmente vendem. O que se descobriu é que muitas vezes as lojas compram poucos produtos tamanho M, deixando as clientes com essas medidas na mão.

Segundo o diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Sérgio Graff, a esperança é que a padronização de modelagem seja aprovada e cumprida. O Sindicato da Indústria Têxtil (Sintex) estimula, por meio de cursos, que a indústria busque a padronização.

Mito ou verdade?

Por sempre ouvir dizer que as mulheres de origem alemã têm quadril maior do que as de origem italiana e que as italianas têm o busto maior do que as alemãs, a professora Márcia Bronnemann desafiou os 254 alunos pesquisadores do curso de Moda a desvendar a suspeita.

A pesquisa provou que as mulheres entre 25 e 59 anos e acima de 60 anos, com ascendência alemã, têm o quadril mais largo do que as de origem italiana. Das 178 mulheres, entre 30 e 39 anos, de origem alemã, 73 têm mais de 100 centímetros de quadril. Das italianas, 34 têm essa medida.

- É uma questão genética - diz a pesquisadora.

Só não foi possível comprovar se as descendentes de italianas têm o busto maior do que as alemãs. Quando os pesquisadores computavam as medidas dos bustos, uma aluna alertou que, numa sala de 33 alunas, 30 tinham prótese de silicone. Assim, para a comunidade acadêmica, o tema continua sendo mito.

( julia.borba@santa.com.br )

Alguns resultados
Mulheres acima de 60 anos usam mais o tamanho G
As entre 50 a 59 anos, também usam mais o tamanho G
Jovens entre 14 e 19 anos, cabem melhor no tamanho M
De 14 a 25 anos, o quadril mede entre 90cm e 100cm
- Blumenauenses de origem alemã têm quadril maiores dos que as de origem italiana
- Não foi possível identificar se as descendentes de italianos têm busto maior, como se costuma dizer. A presença de próteses de silicone atrapalhou a pesquisa
- Os dados da pesquisa ainda estão sendo tabulados. A íntegra com os resultados deve ser divulgada durante esta semana no site da Furb
Fonte: Projeto Sem Regime