"Nós temos que ir para a China"

Veículo: A Notícia
Seção: Economia
Página: www.an.com.br

Indústrias

 

Atender ao maior mercado consumidor do mundo é uma das metas do 2° mandato de Alcantaro na Fiesc

A preparação da indústria catarinense para atender ao concorrido mercado chinês - o maior do mundo em número de consumidores e que vem crescendo a uma média de 10% ao ano desde 1990 - é o principal desafio do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Alcantaro Corrêa. "Essa área da Ásia vai ser uma região fantástica para nós exportarmos nossos produtos."

Ele tomou posse na sexta-feira para os seus últimos três anos no comando da mais importante entidade empresarial catarinense. Como ocorreu com ele mesmo, quando era o primeiro vice-presidente da entidade e substituiu o presidente, o seu cargo deve ser ocupado, daqui a três anos, por Glauco Côrte.

Alcantaro, também vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria, é blumenauense formado na Universidade Federal de Santa Catarina (Fiesc). Iniciou sua carreira na Fiesc como primeiro vice-presidente durante os dois mandatos do ex-presidente José Fernando Faraco (1999-2005). Na seqüência assumiu a presidência da entidade.

Antes disso, comandava a sua empresa em Blumenau, a siderúrgica Electro Aço Altona, cuja direção deixou em abril deste ano. Na cidade natal também presidiu o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e foi professor do curso de economia da Universidade da Região de Blumenau (Furb). Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

ALCÂNTARO CORRÊA/PRESIDENTE DA FIESC

Santa Catarina avança na infra-estrutura para transporte marítimo e terrestre, mas ainda há entraves no transporte aéreo. Como isso compromete a logística da indústria?

Alcantaro Corrêa -
O Estado está em uma situação muito difícil. Se nós quisermos fazer do aeroporto de Florianópolis um aeroporto de cargas, podemos tirar o cavalinho da chuva porque é perda de tempo. Como nós vamos chegar com cargas atravessando a cidade de Florianópolis até o aeroporto? O que nós precisamos é de um aeroporto mais moderno. Nós temos que melhorar as condições de embarque, pista, acesso. Para trabalhar com carga, teria que pousar aviões grandes e, para isso, nossas pistas teriam que ser ampliadas. Estaremos atentos no sentido de buscar um aeroporto melhor, de terminar o aeroporto no Sul, entre Tubarão e Laguna, que está jogado às traças, terminar o aeroporto em Correa Pinto.

Quais segmentos da indústria mais avançaram nesses três anos desde o início do seu mandato?

Corrêa -
Alimentos, principalmente de carne de frango e suínos. O setor disparou porque a proteína é uma necessidade humana e nossas empresas cresceram porque estão bem aparelhadas, bem instaladas, modernas, atendendo todos os critérios de segurança e saúde. Outros setores são o elétrico e o siderúrgico. Várias fundições estão exportando suas produções. Para comprar transformador, por exemplo, tem que vir a SC, aqui estão as grandes fábricas. Na área de software, Santa Catarina tem um corredor altamente desenvolvido, que começa em Criciúma e passa por Tubarão, Florianópolis, Blumenau, Jaraguá e Joinville.

Quais segmentos mais perderam neste últimos três anos?

Corrêa -
O setor de cerâmica tem tido problemas, em função da crise bancária dos Estados Unidos. Os segmentos de madeira e móveis foram prejudicados pela valorização do real pois exportavam tudo. E também a parte de confecções que tem forte concorrência com a China, mas isto está mudando. A China já tem problema de salários, de greve, de pessoas capacitadas. Em mais uma década, a China não vai mais ser um concorrente. Ao contrário, nós temos que nos preocupar em buscar mercado lá. Na China vai ter mercado para o mundo inteiro. Quem estiver atento e preparado vai poder vender sua produção lá dentro fácil, fácil.

Como Santa Catarina deve se preparar para transformar a China em um mercado consumidor dos produtos catarinenses?

Corrêa -
Há cerca de cinco anos, nós temos feito anualmente missões para diversas partes do mundo. E naquela região da Ásia, principalmente, a China, nós temos no mínimo uma missão por ano. Está prevista para outubro uma nova missão nacional, coordenada por SC, porque nós temos know-how nessa área. Estaremos levando mais de cem pessoas para verem oportunidades de compras de material, de produtos, mas também verem oportunidades de negócios, de mercado para seus produtos.

Quais segmentos já se aproveitam desse mercado e quais têm potencial?

Corrêa -
Somos competitivos em vários produtos. Até nas confecções estamos nos equiparando com eles. Na área elétrica, de fundidos especiais, de máquinas nossos equipamentos têm mais garantia e qualidade. Qualquer produto tem potencial. Por exemplo, se nós vendêssemos água para lá, imagine se cada chinês tomasse um só gole. Seriam necessários vários navios para transportar água a granel para envasar lá. Nós temos que ir lá, para que possamos aproveitar esse mercado.

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