Indústria vai manter investimentos

Veículo: Diário Catarinense
Seção: Reportagem Especial
Página: www.diario.com.br

A dose do aumento dos juros anunciada pelo Banco Central (0,75 ponto percentual) foi um verdadeiro tiro no pé, afirmou, ontem, o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), Ulrich Kuhn. Ele faz coro a outros empresários, que também discordam da decisão do governo.

Kuhn lamenta que por causa da elevação exagerada haverá aumento de custos para a indústria.

Como na cadeia de repasses quem paga é o consumidor final - justamente o que foi favorecido pela baixa na Selic no último ano - haverá, certamente, diminuição no consumo, analisa o 1º vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte.

Ele explica, contudo, que a tentativa de conter a inflação através dos juros não deve afetar os investimentos anunciados para o ano que vem (cerca de R$ 2 bilhões) porque a maior parte das empresas obtêm seus financiamentos através de bancos de fomento, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), que trabalham com a Taxa de Juros ao Longo Prazo (TJLP), cujo índice gira em torno dos 8% ao ano.

Pegar dinheiro ficará mais caro

Porém, para as que pegam empréstimo de outras instituições financeiras, o cenário não fica nada bom.

- A empresa depende da obtenção de recursos em bancos para seu capital de giro. Estes empréstimos deverão ficar mais caros com os juros em alta - disse o diretor financiero e de relações com investidores da Portobello, Mário Baptista, salientando que para os próximos anos a empresa tem demanda garantida, mas para o futuro, a situação é incerta.

O único alento para os empresários é o bom momento da economia, que deverá conter os prejuízos. Assim pensa o presidente do Sindicato da Indústria Metal-Mecânica do Extremo - Sul Catarinense (Sindimetal), Guido Búrigo.

Ele ressaltou que os empresários já estão acostumados com a questão inflacionária, desde o tempo em que ela beirava os 80%, mas devem ficar atentos para produzir mais com o menor valor, já que agora o consumidor tem à disposição produtos vindos de países como a China, bem mais baratos. Fórmula que será difícil construir com o iminente aumento nos custos de produção resultante da elevação nos juros.

( graziele.bo@diario.com.br )

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