Encontre a sua vaga no mapa

Veículo: Diário Catarinense
Seção: Economia
Página: www.diario.com.br

As placas de "há vagas" nunca foram tantas. Além de Santa Catarina registrar recorde de contratações no primeiro quadrimestre do ano, devem ser criados, no mínimo, mais 36 mil novos postos até o final de 2008.

No entanto, as placas também nunca permaneceram tanto tempo penduradas nas portas do comércio, das empresas de tecnologia, das fábricas e das obras. Sobram vagas em todos os segmentos da economia e regiões do Estado, garantem os empresários. O que está faltando é mão-de-obra qualificada.

A estabilidade, o crescimento do país e, conseqüentemente, o aumento do consumo criaram demanda para as empresas ampliarem os seus negócios num ritmo que está difícil de ser acompanhado pela formação de mão-de-obra.

De acordo com o cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego, o Estado registrou, entre janeiro e abril, um recorde histórico para o período: 43.992 vagas criadas com carteira de trabalho assinada. Até o final do ano, espera-se que o número chegue a 80 mil, como indica o analista de mercado de trabalho do Sistema Nacional do Emprego, de Florianópolis, Osnildo Vieira Filho.

O cenário gerou uma situação inusitada, em que as empresas acumulam déficit no quadro de pessoal e os patrões saem à caça de trabalhadores como há pouco tempo faziam os desempregados atrás de vagas.

Indústria de transformação sente mais a escassez

A indústria de transformação, responsável por 40% das vagas abertas no primeiro quadrimestre, é o setor que mais sente a escassez de profissionais qualificados. Com a crescente automação das fábricas, a grande maioria da mão-de-obra empregada necessita apresentar ao menos conhecimentos técnicos para operar as máquinas.

Nas indústrias de autopeças, localizadas, principalmente, no Norte do Estado e no Médio Vale do Itajaí, calcula-se que o quadro de pessoal tenha sido ampliado em até 15% desde o início do ano.

O crescimento do mercado de automóveis zero quilômetro e a instalação de novas empresas de grande porte em Santa Catarina, como, por exemplo, a fábrica da General Motors que será construída em Joinville, levaram à expansão da produção e a conseqüente criação de vagas.

- Mas, ao mesmo tempo em que contrataram muito, as empresas também demitiram bastante gente - afirma o diretor regional do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Daniel Camilotti.

Ele explica que as vagas criadas, com salários a partir de R$ 650, acabam sendo ocupadas por trabalhadores com pouca qualificação, que, muitas vezes, duram pouco tempo nas empresas.

As fábricas de têxteis do Vale do Itajái e do Sul do Estado enfrentam problema semelhante com a tradicional profissão de costureira.

O crescimento do consumo interno e o maior rigor no controle das importações chinesas gerou demanda por mais produtos e, por conseqüência, necessidade de mais gente trabalhando, explica a conselheira vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a catarinense Sônia Hess.

Agroindústria já trabalha com déficit de pessoal

O segmento foi um dos que mais contratou dentro do setor da indústria, com criação de 5 mil vagas. De acordo com Sônia, caso sejam encontradas as costureiras necessárias, outras 5 mil vagas devem ser abertas até o final do ano.

Também impulsionado pelo aumento do consumo e das exportações, o segmento da agroindústria já trabalha com déficit de pessoal. Demandando desde operadores de máquinas e de corte de animais até engenheiros químicos e de alimentos, as empresas chegam a operar com até 10% menos funcionários do que necessitam.

- Há cursos técnicos, mas o rápido crescimento não dá tempo para formação de pessoal - explica o presidente da Associação Comercial e Industrial, de Chapecó, Vincenzo Mastrogiácomo.

No setor de tecnologia da informação, a estimativa é de oferta anual por 46 mil novas vagas em 2012. No entanto, entre universidades e cursos técnicos, o Estado forma atualmente apenas 30 mil por ano. Um déficit que pode acabar comprometendo o desenvolvimento do setor.

( joao.grando@diario.com.br )

JOÃO WERNER GRANDO
Opinião
Vincenzo Mastrogiácomo, presidente da Acic de Chapecó
"Há cursos técnicos, mas o rápido crescimento não dá tempo para a formação de pessoal"
Sergio Medeiros, presidente da FCDL-SC
"O comércio é o primeiro a sentir os reflexos dos outros setores, e isso está se refletindo na criação de vagas"
Hélio Barros, presidente do Sinduscon
"Para os próximos 12 meses, esperamos criar entre 8 mil e 10 mil novas vagas. Mas é preciso qualificação mínima"
Rui Gonçalves, presidente da Acate
"Engenheiros e técnicos do setor de tecnologia da informação não ficam desempregados em Santa Catarina"
diario.com.br