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Com preço menor, Hering fatura mais no trimestre

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas
Página: B1

  

A Companhia Hering colhe resultados mistos da estratégia adotada desde julho, que aliou captação de recursos na Bovespa e redução de preços de sua linha de roupas. A receita cresceu, mas o balanço do terceiro trimestre fechou no vermelho. O prejuízo líquido de R$ 19,6 milhões deve-se a despesas de R$ 21 milhões feitas para captar recursos na Bolsa, em julho, disse ao Valor o vice-presidente Fábio Hering. O lajida ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciações, amortizações e despesas) caiu 10,7%, atingindo R$ 10,8 milhões. A empresa catarinense encerrou o terceiro trimestre com uma receita líquida de R$ 92,4 milhões, com expansão de 14,3% em relação a igual período de 2006. Segundo o executivo, essa elevação já é reflexo da estratégia de redução de preços, em média de 12%, dos produtos Hering iniciada em agosto. "Fizemos uma pesquisa e constatamos que mais de 90% dos consumidores das classes A, B e C conheciam a marca, mas não podiam adquirir nossos produtos por causa do preço", disse. Nos mercados em que a representatividade da Hering é pequena, como o de calças jeans, a queda no preço chega a 30%. Em camisetas e malhas, varia de 5% a 6%.Há cerca de seis anos, a empresa enfrentou problemas de caixa, fechando o balanço de 2001 com prejuízo de R$ 58,5 milhões. Naquela época, para melhorar seu capital de giro, a Hering elevou preços e parou de vender as marcas Public Image, Omino, Folha e as licenças Disney e Garfield. Atualmente, a empresa trabalha com as marcas Hering, dzarm e PUC, que representam 72%, 15% e 13% das vendas totais, respectivamente. Os recursos captados em julho (R$ 229,2 milhões) estão sendo aplicados em capital de giro (46%), redução do endividamento (24%); e investimentos em novas lojas próprias (16%) e em tecnologia (14%). No terceiro trimestre, R$ 35,6 milhões foram usados para liquidar dívidas junto ao BNDES. O endividamento da Hering em setembro era de R$ 187,5 milhões. Capitalizada, a meta atual da Hering é dobrar de tamanho em quatro anos. Para sustentar essa expansão a empresa planeja uma rede com 325 lojas, sendo 50 unidades próprias, em 2010. Atualmente, são 202 lojas, sendo 16 próprias, em todo o País, principalmente em shopping centers. No exterior há 23 unidades em sistema de franquia. Nos últimos três meses foram investidos R$ 4,4 milhões para abrir novas lojas. Outro plano é lançar nas próximas semanas um cartão de crédito "Hering Store", com a bandeira Visa em parceria com o banco HSBC e a financeira Losango. O executivo calcula que serão emitidos 180 mil cartões até o final de 2008. "Acredito que haverá um aumento de 20% nas vendas por metro quadrado com o lançamento do cartão. Criamos alguns atrativos como isenção de anuidade e parcelamento em até cinco vezes sem juros". O tíquete médio das lojas é de R$ 70 e a previsão é de um aumento entre 20% e 30% com os novos pontos de venda e o cartão de crédito. Com fábricas em Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Norte, a produção mensal da Hering é de 3,5 milhões e deve saltar para 5,5 milhões em três anos.



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