Indústrias de calçados e têxtil se recuperam

Veículo: Intelog
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Alguns dos setores produtivos mais afetados pela desvalorização cambial, os segmentos têxtil e de calçados já enxergam chances de reverter parte das perdas no próximo ano.
Para 2007, as entidades dos segmentos prevêem estabilidade em relação a 2006, enquanto as empresas preparam terreno para 2008. "A indústria de calçados nunca deixou de fazer o dever de casa e vai continuar fazendo. Continuamos investindo, buscando formas de ganhar mercado e tentando melhorar a competitividade", afirmou o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do Estado de Minas Gerais (Sindicalçados-MG), Luiz Raul Aleixo Barcelos. Segundo ele, seria otimismo exacerbado prever crescimento já em 2007. "Mas se a situação continuar como está, temos chances de voltar a crescer no ano que vem", admitiu. Para o dirigente, os resultados do atual exercício deve, ao menos, significar o fim das constantes quedas de faturamento que o segmento sofreu ao longo do ano. Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas de Minas Gerais (sindimalhas-MG), Flávio Roscoe Nogueira, o segmento também deverá fechar praticamente empatado a 2006 em termos de faturamento. "No país a receita no ano passado foi de R$ 3,1 bilhões, com previsão para este ano é de aproximadamente R$ 3 bilhões. Minas segue esse cenário", afirmou. De acordo com ele, o primeiro semestre ainda foi de retração para o setor têxtil no Estado, mas, a partir do segundo semestre, os resultados começaram a melhorar. Dados da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), apontam que o ramo acumulava queda de 2,77% no faturamento até agosto de 2007 frente mesmo intervalo de 2006. No entanto, na comparação entre o oitavo mês dos dois anos, o segmento já apresentava incremento de 19,43% na receita. "O aumento da fiscalização e a implementação da tarifa de importação de 35% vem ajudando bastante", salientou. Conforme ele, o valor do produto têxtil importado dobrou nos últimos quatro meses, fruto da fiscalização mais rigorosa, que evita a entrada de artigos subfaturados. "O varejo de vestuário deverá crescer 7% em 2007, com fôlego para absorver tanto parte dos produtos nacionais quanto os importados", afirmou Nogueira. Para Barcelos, é preciso que a indústria nacional se diferencie, investindo de design e se atualizando rapidamente sobre tendências da moda. "Em termos de preços os chineses sempre serão mais competitivos, então temos que buscar o nosso nicho fora disso", afirmou.
A expectativa com as medidas de desoneração e as linhas de financiamento especiais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os setores afetados pelo câmbio valorizado ajudam a melhorar a visão dos empresários para 2008. "Para continuarmos competitivos, temos que ter menos impostos e meios de nos financiarmos", salientou Nogueira. Segundo ele, a indústria têxtil em Minas tem ociosidade de 25% a 30%, mas que já está retomando contratações. "Hoje temos cerca de 160 mil empregados apenas nas confecções e outros 45 mil em fábricas de tecido", ressaltou.