PIB dos EUA surpreende, mas deve perder ritmo

Veículo: Valor Econômico
Seção: Internacional
Página: A11

 

 
A economia dos EUA surpreendeu e teve crescimento anualizado de 3,9% no terceiro trimestre, segundo estimativa inicial divulgada pelo Departamento do Comércio. O resultado é o maior desde o primeiro trimestre do ano passado, quando o PIB cresceu 4,8%. O consumo resistiu à queda no mercado imobiliário, mas espera-se que isso mude neste trimestre. Economistas continuam preocupados com o ritmo de crescimento deste último trimestre. "As coisas parecem muito diferentes depois do turbilhão [causado pela crise do mercado imobiliário e pelo seu impacto no setor de crédito]", disse Ian Shepherdson, da High Frequency Economics.

 
Outros disseram que o crescimento foi bem maior do que esperado por causa do movimento de aumento de estoques, que subiram para US$ 15,7 bilhões, em cálculo anualizado, comparado com os US$ 5,8 bilhões anualizados aferidos no segundo trimestre. "Toda a surpresa positiva foi registrada no componente estoques. Isso deve se refletir numa redução da performance do crescimento no quarto trimestre", disse David Greenlaw, do Morgan Stanley. O deflator do PIB, acompanhado com atenção pelo mercado, indica que os preços ao consumidor subiram menos, 1,7%, contra 4,3% do segundo trimestre. O núcleo do índice (que exclui os preços voláteis de alimentos e energia), no entanto, mostrou alta de 1,8% entre julho e setembro, contra alta de 1,4% no trimestre anterior. Os gastos dos consumidores ajudaram o PIB a manter o crescimento no trimestre passado, segundo o governo, com avanço de 3%, após a alta mais modesta de 1,4% entre abril e junho. Os gastos com bens duráveis (com durabilidade prevista de ao menos três anos) cresceram 4,4%, contra 1,7% no trimestre anterior; já os gastos com bens não duráveis (como alimentos e vestuário) cresceram 2,7%. Os gastos com serviços tiveram alta de 2,9%. Os dados "indicam que a economia manteve um ímpeto considerável", disse John Kemp, economista da Sempra Metals. "Até agora o consumo não foi afetado pela crise. É um bom sinal." No segundo trimestre deste ano, a economia americana cresceu 3,8%; no primeiro trimestre, a alta foi mínima, de apenas 0,6%. Entre julho e setembro, os gastos dos consumidores contribuíram com 2,11 pontos percentuais, contra uma contribuição de 1 ponto percentual no segundo trimestre. O crescimento no trimestre passado superou as expectativas dos analistas, que previam um avanço de 3,2% no período. O comércio exterior contribuiu com 0,93 ponto percentual do crescimento da economia dos EUA no trimestre passado: as exportações cresceram 16,2%, enquanto as importações subiram só 5,2%. A contribuição das exportações no trimestre passado, no entanto, foi menor que entre abril e junho - quando responderam por 1,32 ponto percentual do PIB. Os gastos do governo federal subiram 6,8% no trimestre passado, depois de já terem registrado uma alta de 6% nos três meses imediatamente anteriores. Já o mercado imobiliário reduziu sua participação no PIB no trimestre passado em 1,05 ponto percentual: os investimentos fixos no setor residencial tiveram queda de 20,1% - contra 11,8% de queda um trimestre antes.