Emparn desenvolve pesquisas com algod?o colorido e vem atendendo ? expectativa

Veículo: Gazeta do Oeste
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A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), desenvolve há quatro anos pesquisas na área de plantio de algodão colorido, utilizado na confecção de produtos diferenciados e ecologicamente corretos.
A Emparn desenvolve um programa de melhoramento genético pelo qual, através do uso da biotecnologia de transferência de genes, é possível controlar o aparecimento de várias tonalidades de cores. Os algodões coloridos obtidos pelo processo de melhoramento não-transgênico, por apresentarem bons padrões de resistência, comprimento, textura e uniformidade, podem ser processados por indústrias têxteis modernas e o tecido obtido com esse algodão possui qualidade e estabilidade de coloração, semelhante aos tecidos coloridos artificialmente. Por ser uma cultivar com ciclo produtivo de três anos, selecionada a partir de algodoeiros arbóreos nativos do semi-árido nordestino, o algodão colorido possui alto nível de resistência à seca. A variedade foi desenvolvida com o objetivo de criar mais uma fonte de renda para as populações do semi-árido nordestino, onde o cultivo é incentivado. A espécie é uma das que melhor se adaptam às características da região. Para algumas empresas que buscam produtos diferenciados e se preocupam com os problemas ambientais, o algodão colorido assume grande importância já que não utiliza corantes e outros produtos químicos na produção dos tecidos. Para lavar e tingir o tecido de uma única calça jeans, por exemplo, são necessários 80 litros de água. Por lei, a indústria têxtil tem que investir em equipamentos de despoluição e reaproveitamento da água. Como o processo é caro, muitas fábricas burlam a lei e despejam a água suja direto nos rios. Essa é a principal vantagem do algodão colorido. Na tecelagem os fios dispensam a fase da tinturaria, que representa 50% do custo dos tecidos. Assim é possível economizar água e preservar os rios. Uma planta que não tinha o menor destaque no mercado produtivo, por ser considerada inferior, ganhou status com a tecnologia. Por ser fruto de uma tecnologia nova, tem um valor diferenciado com relação ao algodão branco. De acordo com o pesquisador da Emparn, Aldo Arnaldo de Medeiros, o quilo da pluma do algodão colorido vale R$1,30, enquanto o tradicional é vendido por R$ 0,90. Porém o mercado para o algodão colorido ainda é restrito, sendo o produto consumido por pessoas alérgicas a corantes sintéticos, grupos ambientalistas e ONGs que desenvolvem trabalhos com agricultura orgânica.