CCAB mostra for?a e acelera expans

Veículo: Valor Econômico
Seção: Agronegócios
Página: B12

 

Quando foi criado, em abril de 2006, o Consórcio Cooperatisvo Agropecuário Brasileiro (CCAB) tinha um objetivo principal e planos ambiciosos. Menos de um ano e meio depois, a idéia original já dá sinais de retorno financeiro, uma safra antes do que o previsto, e a expansão, prevista para o longo prazo, começa a ser posta em marcha. O que levou um grupo de 20 cooperativas dos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão a formar o CCAB foi o elevado custo de seus cerca de 15 mil associados com a compra de defensivos. Com demanda conjunta de US$ 700 milhões por safra, o foco era obter registros de produtos químicos com patentes vencidas para reduzir o gasto. O primeiro registro, do glifosato - largamente utilizado em plantações de soja, milho e algodão, as principais culturas do cerrado -, foi obtido, o que viabiliza a importação de defensivos genéricos de países como a China, onde eles podem custar apenas 10% do preço dos mais caros produtos vendidos no Brasil. Nesse modelo, que será ampliado com a obtenção de outros registros, o CCAB é capaz de vender cobrando apenas custos da mercadoria e operacionais (transporte e seguro, basicamente), sem comissões, redes de distribuição ou remunerações de acionistas. Mais do que isso: segundo Jorge Moura, diretor-executivo do CCAB, a iniciativa chamou a atenção das indústrias de agroquímicos que atuam no país, a maioria multinacionais, e elas próprias se interessaram em participar do projeto do grupo.

 
Graças a um acordo com a Milenia Agrociências, do grupo israelense Makhteshim Agan, os produtores ligados às cooperativas que compõem o CCAB já compram defensivos mais baratos para esta safra 2007/08, que começa a ser plantada nos próximos meses. Moura não dá detalhes, mas informou que a Milenia concordou em reduzir os preços de seus produtos para ganhar mercado. A comercialização é realizada por meio da CCAB Agro Ltda, criada em dezembro do ano passado simultaneamente ao estabelecimento da holding CCAB S/A. O executivo esclarece que isso significa que a Milenia vende seus produtos com "margem industrial" - e não comercial.. Sendo assim, a economia é sensível. Com defensivos da companhia à disposição, afirma, o CCAB já garantiu faturamento de US$ 100 milhões no ciclo 2007/08, com lucro líquido de US$ 10 milhões (depois de impostos). "Funcionamos como um balizador de preços. Nos produtos onde a margem das indústrias é muito grande, tentamos puxá-la para baixo. Se é de 60%, pressionamos para que fique em 20% ou 30%. Não pedimos 'custo China mais frete' porque não queremos substituir a indústria, que tem tecnologia e participa da alavancagem financeira do agricultor. Mas é uma quebra de paradigma", diz Moura. Como o objetivo do consórcio não é ter lucro, quando ele é obtido, como agora, é devolvido às cooperativas participantes, levando-se em conta as diferentes participações das mesmas no CCAB. E a maneira como esse lucro retorna é definido pelo conselho de administração da holding, formado pelos produtores Gilson Pinesso (presidente), Alexandre Bottan (vice-presidente) e Sérgio Nogueira (secretário), além do próprio Jorge Moura. Com o lucro, explica, pode-se investir em mais registros de agroquímicos e em silos, por exemplo. "O lucro é importante para melhorar nossa capacidade de captação de recursos. Mas tudo retorna às cooperativas, que devolvem os ganhos aos produtores", garante. Com a rápida evolução do braço CCAB Agro, que até 2011/12 poderá contar com 30 registros e faturamento de cerca de US$ 500 milhões, a holding CCAB S/A prepara-se para criar empresas para outras áreas - projetos, central de compras, fertilizantes e trading. Conformou Moura, a CCAB Projetos e a CCAB Central de Compras estão em formação e devem começar a operar entre dezembro e março de 2008. Em todas as empresas a entrada de "parceiros estratégicos" (agroindústrias, sobretudo) poderá ser avaliada e aprovada no futuro, com participações de até 10%. Enquanto a CCAB Central de Compras usará o peso das cooperativas que formam o grupo para negociar fretes, por exemplo, o braço de projetos se responsabilizará por ações que vão desde a construção de uma fábrica de biodiesel até assessoria financeira, também em linha com a tendência de que os grandes produtores do Centro-Oeste se transformem em "pessoas jurídicas". Moura informa que a holding CCAB S/A foi estabelecida com regras de governança corporativa e auditoria externa, que envolvem também as empresas controladas. Com isso, alavancagens financeiras juntos aos bancos, se necessárias no futuro para ampliar as operações, podem ser facilitadas. "Estamos aperfeiçoando o modelo cooperativista", afirma o executivo, cujo escritório é em São Paulo. E isso com um poder político que certamente aumentará na medida que os negócios prosperem.