Dilema T?xtil

Veículo: O Pioneiro
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Blumenau - Demissões e exportações ladeira abaixo são os reflexos mais aparentes de três anos seguidos de valorização do real na indústria têxtil do Vale do Itajaí. Segundo dados da Federação das Indústrias (Fiesc), enquanto outros setores comemoram crescimento e empregam, no setor têxtil o primeiro semestre fechou com saldo de 966 trabalhadores a menos. Só as empresas que têm vendas baseadas em solo nacional estão garantindo bom desempenho. O presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Blumenau, Ulrich Khun, afirma que a perda de lucratividade nas vendas ao Exterior começou no final de 2004. Desde então, segue paralela à depreciação da moeda norte-americana. Em 2005, as exportações de manufaturados do vestuário somaram US$ 350 milhões. No ano seguinte, caíram para US$ 320 milhões. As projeções para este ano vislumbram não mais que US$ 290 milhões. Outro dado preocupante para o setor - formado por cerca de 3,4 mil empresas em Santa Catarina e por 55 mil a 60 mil trabalhadores - é o déficit na balança comercial. O fiel-da-balança, afirma Khun, estará 'tombado', ao final deste ano, para o lado das importações: volume de US$ 1 bilhão a mais sobre as exportações. - As demissões são um reposicionamento no mercado. Não representam crise generalizada. Mas, também, não estamos crescendo. O setor está parado. E isso é muito ruim, claro - reconhece Khun. Entre as empresas que demitiram funcionários estão a Teka - que desligou mais de 700 pessoas - e a Marisol, de Jaraguá do Sul que, além de demitir 806 pessoas, fechou as unidades de Corupá e Massaranduba, alegando reestruturação. As duas foram compradas pela confecção Lunender, de Guaramirim. Segundo Khun, a maioria das exportadoras não consegue renovar contratos pelas antigas margens. As correções são necessárias, alega, mas nem todos os clientes aceitam. Para o economista, doutor em Engenharia de Produção e professor de Comércio Internacional da Furb, Mohamed Amal, o pior momento já passou. Mas ele acredita que o cenário atual não sofrerá mudanças logo: - Em curto prazo, não há perspectivas de o dólar chegar aos patamares que estava há dois anos. E e isto manterá os têxteis no mesmo nível. Amal citou duas situações que podem inverter este cenário e impedir novas demissões. Segundo ele, a aprovação da elevação da tarifa externa comum em 35% (antes era metade) sobre os produtos têxteis importados vai proteger o Brasil da invasão chinesa que tanto atormenta os empresários. - Percebo que as empresas estão se ajustando com o seu quadro de funcionários e vejo que os balanços financeiros estão bem em relação aos últimos três anos. Isto quer dizer que já há um equilíbrio - aponta.