Grifes para cliente classe A rendem-se ao licenciamento

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas
Página: B5

Criança que é criança costuma não passar incólume por seu personagem de desenho favorito. Sabendo disso, várias confecções infantis fecham contratos de licenciamentos para poder ter Hello Kitty, Barbie, Bob Esponja e Power Rangers em suas roupas. A estratégia atrai, em geral, lojas de departamento e grifes populares. Marcas infantis voltadas ao público A/B costumam resistir a investir no filão. Mas isso está mudando. A Tyrol, marca com mais de 40 anos no segmento infantil, lança no mercado, nos próximos dias, uma coleção de roupas com os personagens Mickey, Minnie e Ursinho Pooh, da Disney. O "diferencial", diz Uri Dayan, diretor de varejo da Tyrol, é que as imagens dos personagens são os seus contornos originais - criados entre as décadas de 1920 e 1930. É a chamada linha "vintage" da Disney. "Os desenhos são antigos e as estampas, desgastadas para darem o ar de roupa usada", diz Dayan. Os ratos Mickey e Minnie estão em moletons, camisetas, jaquetas e calças jeans. O urso Pooh em macacões, conjuntos, mantas e babadores. O contrato é de um ano e a primeira coleção tem 12 mil peças. "Para a segunda coleção, que deverá ter outros personagens, planejamos chegar a 25 mil", diz Dayan. A Tyrol nunca havia feito um contrato de licença de uso de personagens infantis. Mas já produziu roupas para as linhas infantis de lojas como C&A e para a grife Christian Dior, que vendia artigos infantis no Brasil na década de 1980. "Sempre fui cético com licenciamentos", diz Dayan, que acabou seduzido pelo charme dos desenhos. Em poucos dias, as peças chegam às 27 lojas da Tyrol e às 200 multimarcas atendidas pela empresa, que além de varejista é fabricante, com produção de 400 mil peças por ano. Em 2006, a Tyrol cresceu 35% em faturamento. Em dois anos, dobrou a produção. Até julho, a Green manterá nas lojas as roupas com o personagem Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, lançadas no ano passado. Foi o primeiro contrato de licenciamento da grife, em pouco mais de 20 anos de existência. A Green vende roupas para bebês e crianças com tecidos sofisticados e modelagem que prioriza o conforto. "Fazer licenciamento nunca foi nossa filosofia, mas o personagem Pequeno Príncipe tem valores parecidos com os nossos. Resgata a importância dos relacionamentos", diz Márcia Oura, fundadora da Green. "Nosso objetivo é ter personalidade." O contrato com o Pequeno Príncipe não será renovado, mas Márcia não descarta a possibilidade de repetir a experiência com outros produtos. Para Giuliano Donini, diretor de marketing da Marisol, a principal vantagem do licenciamento é que se cria um vínculo emocional com o consumidor. A Marisol já teve em seu time figuras como Snoopy e Pokémon. Para o próximo verão terá roupas estampadas com os robôs alienígenas Transformers - do filme homônimo que estréia em julho no Brasil - e com os pôneis da coleção My Little Pony. O executivo chama a atenção para o encarecimento das roupas por conta dos royalties que podem variar entre 6% e 12%. "Isso pode aumentar o preço em 18%." Donini diz que é preciso cuidado para detectar o personagem em ascensão. As negociações para licenciar os Teletubbies, por exemplo, levaram oito meses. "No dia em que assinamos o contrato, os bonecos já eram vendidos no farol." Nesse negócio, diz Donini, "timing é tudo." PPR faz nova oferta O grupo francês PPR, dono de grifes de luxo como a Gucci, comprou 27% de participação na fabricante de artigos esportivos Puma e ofereceu-se, na sexta-feira, para adquirir o resto da empresa alemã. Um transação que pode atingir 5,3 bilhões de euros (US$ 7,1 bilhões), informou a Bloomberg. O grupo pagou 330 euros em dinheiro por ação pelos ativos da empresa controlada pelos bilionários Guenter e Daniela Herz e irá oferecer o mesmo para o outros acionistas. O valor, no entanto, não agradou os analistas. "A oferta é muito baixa para os acionistas da Puma", disse Uwe Weinreich, analistas do HVB Bank, de Munique. Investimento no Japão A grife Polo Ralph Lauren irá investir cerca de US$ 370 milhões para comprar o controle do seu negócio no Japão, segundo maior mercado da empresa no mundo, informou a Bloomberg.