Vestuário infantil fica longe de crise

Veículo: Diário do Comércio
Seção: Economia
Página: D8

A indústria têxtil brasileira tem enfrentado dificuldades com o dólar em baixa e a concorrência dos produtos chineses. Mas existe um segmento que consegue ter números positivos: o de vestuário infantil. Os dados mostram que os fabricantes de roupas para crianças, que representam 15% do mercado, não podem reclamar. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o faturamento do segmento infantil alcançou, em 2005, US$ 2,4 bilhões, de um total de US$ 19,9 bilhões do setor no País. A expansão foi de 14,3% em relação ao resultado de 2004 (US$ 2,1 bilhões em receitas). O faturamento da Brandili, fábrica de Santa Catarina que produz apenas roupas para crianças, cresceu 17% entre 2005 e 2006. No primeiro trimestre deste ano a expansão foi ainda mais expressiva: 28% em relação aos três primeiros meses do ano passado. De acordo com o gerente de Vendas, Germano Costa, contribuem para manter em alta as vendas de roupas infantis aspectos psicológicos e mudanças sociais. "Os pais muitas vezes deixam de comprar roupas para eles a fim de economizar e adquirir peças para os filhos. Quando chega o frio, nunca deixam de comprar agasalhos para as crianças", diz Costa. "Além disso, antes as famílias tinham muitos filhos, e os mais novos herdavam as roupas dos mais velhos. Hoje, como muita gente tem apenas um filho, o jeito é comprar", acrescenta. Ele afirma ainda que há pais que trabalham muito e dão roupas para os filhos para amenizar a sensação de culpa pela ausência prolongada. Licenciamento Costa diz que, para driblar os problemas cambiais, a falta de frio e a concorrência chinesa, a Brandili aposta na fabricação de peças de meia-estação, mais leves, e nos licenciamentos de marcas. "Os produtos com estampas de heróis, como o Homem-Aranha, do Senninha, da Turma da Mônica e do Garfield são irresistíveis para os pequenos." As vendas de produtos licenciados correspondem a 40% do faturamento da companhia. A Carinhoso, fabricante de roupas infantis de Jaraguá do Sul, também em Santa Catarina, registrou aumento de 15% na produção no ano passado na comparação com 2005, considerando também as peças para o público infanto-juvenil, da marca Enfim. A companhia faz parte do grupo Malwee. De acordo com a gerente de vendas da Carinhoso e da Enfim, Maria Tait da Costa, as vendas do primeiro trimestre deste ano cresceram sobre o período de janeiro a março de 2006. "O balanço ainda não está pronto, mas já sabemos que os números foram positivos. Nos próximos meses, se esfriar, os resultados serão ainda melhores", diz Maria. Para ela, os aspectos psicológicos a que se refere o gerente da concorrente Brandili realmente garantem privilégio ao setor. "Que mãe compra roupas para si e esquece dos filhos?". O diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, lembra também de outro fator definitivo: o desejo das crianças. "Desde muito cedo elas têm vontades e sabem escolher o que querem vestir."