Com que roupa?

Veículo: Diário do Grande ABC
Seção: Economia
Página: 3

Os números não são nada animadores para as indústrias têxteis e de confecção brasileiras. O déficit da balança comercial do setor atingiu US$ 91 milhões em março, o pior resultado mensal desde novembro de 1997. Esse valor é 840% superior ao saldo negativo registrado em igual mês do ano passado, que era de US$ 9,7 milhões. Depois de uma ligeira recuperação em fevereiro, quando as vendas externas do segmento subiram 6% na comparação com janeiro, em março as exportações voltaram a cair. Em valores, foram exportados US$ 190,7 milhões, uma queda de 1,95% em relação a março de 2006. Já as importações, incentivadas pela baixa do dólar, disparam. No mês passado, o crescimento foi de 38% sobre março de 2007. As compras externas de roupas aumentaram 12,8% em comparação com igual período em 2006. Caso permaneça o atual cenário, a projeção da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) é de que em dezembro o saldo comercial atingirá US$ 900 milhões negativos, implicando a perda de mais de 200 mil postos de trabalho no Brasil. O fato é que o País está exportando empregos para a Ásia. Além do dólar baixo, a indústria têxtil enfrenta ainda a concorrência desleal dos produtos importados, com indícios de subfaturamento, falsa classificação fiscal e descaminho.