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Importação bate recorde e reduz saldo comercial

Veículo: Folha de S. Paulo
Seção: Dinheiro
Página: B-4

As importações bateram recorde no primeiro trimestre e já começam a reduzir o saldo comercial, que caiu US$ 551 milhões nos três primeiros meses em relação a 2006. O governo já espera que em 2007 o saldo seja inferior ao do ano passado, mas ainda não possui estimativas. Será a primeira vez que isso vai acontecer desde 2001, quando as exportações passaram a crescer. De janeiro a março as exportações somaram US$ 39,9 bilhões, 17,3% a mais do que no mesmo período do ano passado. Já as importações totalizaram US$ 25,2 bilhões, o que significa um crescimento de 27,3%. Essa diferença entre o crescimento das compras e das vendas internacionais fez o saldo ficar em US$ 8,6 bilhões, resultado abaixo dos US$ 9,2 bilhões, do primeiro trimestre do ano passado. A primeira vez que o saldo comercial ficou menor do o do ano anterior foi em janeiro deste ano. O governo e o mercado se surpreenderam com a demora para que a desvalorização do dólar afetasse o saldo. Desde 2004 o dólar vem perdendo valor continuamente, alcançando níveis que provocaram reclamações de vários setores, que viram seus ganhos encolherem. Em março, as exportações somaram US$ 12,8 bilhões e as importações, US$ 9,5 bilhões. Variação de 18,2% e 28,9%, respectivamente. O saldo foi de US$ 3,3 bilhões, abaixo do de março de 2006, de US$ 3,6 bilhões. "O governo não está preocupado com esse aumento. O Brasil ainda tem um índice de penetração de importações muito pequeno", disse o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat. Para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) o índice de penetração de produtos importados na economia brasileira é de 5,5%, enquanto a média mundial é de 15%. Não foi só no primeiro trimestre que o saldo encolheu. No acumulado dos 12 meses foi a primeira vez que ele ficou menor do que nos 12 meses anteriores, desde 2001. "Por enquanto, a redução do saldo é boa, porque alivia a pressão que a entrada do dólar no país provoca. Quanto maior a redução do superávit, maior a tendência de valorização do dólar e isso melhora a situação de alguns setores exportadores", disse Meziat. Os setores que mais sofrem com a valorização do real são os mais intensivos em mão-de-obra. Nos últimos anos, têxteis e confecções, calçados e móveis são exemplos de indústrias que têm acumulado perdas nas vendas externas. Segundo Meziat, mesmo esses setores já estão se adaptando ao atual nível de câmbio. No primeiro bimestre, têxteis e móveis tiveram melhora nas vendas de 6,4% e 16,9% com relação ao mesmo período de 2006. Mas calçados perdeu 3%. Brasil importa 41% a mais da Argentina O Brasil aumentou as importações da Argentina em 40,6% no primeiro trimestre deste ano. Na avaliação do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, o aumento das compras de produtos argentinos é resultado da recuperação da indústria daquele país. Ele acha que a redução do saldo comercial brasileiro melhora as relações com a Argentina. "Nos últimos anos, o Brasil tem acumulado grandes superávits com a Argentina, o que causava muitas reclamações de vários setores argentinos." De janeiro a março, o Brasil importou US$ 2,284 bilhões da Argentina. No mesmo período do ano passado, as compras daquele mercado somaram US$ 1,625 bilhão. As exportações brasileiras para a Argentina cresceram 15,5% no trimestre, para US$ 2,9 bilhões. A diferença entre o aumento das importações e o das exportações para o mercado argentino segue a tendência do comércio exterior brasileiro como um todo, cujas compras têm aumentado em um ritmo mais acelerado do que as vendas.


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