Têxteis: déficit chega a US$ 47 mi

Veículo: Diário do Comércio
Seção: Economia
Página: 04

A balança comercial do setor têxtil paulista fechou o primeiro bimestre do ano com déficit de US$ 47 milhões, volume 147% maior do que o registrado em igual período de 2006 (US$ 19,8 milhões). Para o ano, a previsão do Sindicato das Indústrias Têxteis do Estado de São Paulo (Sinditêxtil) é de saldo negativo de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão. De acordo com o presidente da entidade, Rafael Cervone Netto, o déficit é o retrato de uma crise que atinge o setor têxtil desde janeiro de 2005. De um lado, as indústrias são pressionadas pelos produtos asiáticos e, de outro, são travadas pela elevada carga tributária brasileira. Empresários do segmento calculam que o valor final do produto têxtil brasileiro tem 60% de impostos, percentual que é de 27% nos produtos asiáticos. "Se a situação não mudar, prevemos a demissão de pelo menos 280 mil trabalhadores até o final deste ano", disse o presidente. A carga de impostos vai massacrar o setor se o governo não tomar uma decisão firme e imediata, afirmou o empresário Leonardo José de Santana, da Guainumby Têxtil Ltda, empresa instalada em Nova Odessa, na região metropolitana de Campinas. "O Brasil precisa decidir se vai manter o parque industrial ou se vai voltar ao tempo em que a agricultura era o carro-chefe da economia", afirmou. Na avaliação de Santana, a carga excessiva de impostos é o grande vilão do setor hoje no Brasil. "No que se refere aos trabalhadores, o problema não é o salário, e sim o encargo trabalhista", observou o empresário, acrescentando que a sonegação e o subfaturamento das importações são o novo processo antropofágico do setor têxtil. "Não temos como competir com essas práticas. Uma empresa estabelecida, mesmo se quiser montar um esquema completo de omissão de pagamento de impostos em toda a cadeia produtiva não vai conseguir passar de 20% de sonegação", afirmou. Pólo têxtil - A região de Americana, que engloba as cidades de Santa Bárbara d Oeste, além de Nova Odessa e Sumaré, com 700 indústrias, registrou o pior resultado anual dos últimos cinco anos em 2006. No período, a produção das empresas, que detêm 80% do total de fios sintéticos produzidos no Brasil, diminuiu de 170 milhões para 150 milhões de metros lineares ao mês. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), o faturamento nacional do setor somou US$ 32,9 bilhões em 2006, a mesma marca de 2005. Nas exportações, os números caíram de US$ 2,2 bilhões em 2005 para US$ 2,1 bilhões em 2006. Já as importações cresceram de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,1 bilhões no período. Setor retoma reivindicações O próximo dia 18 de abril deste ano marca a retomada da pauta de reivindicações dos empresários do setor têxtil brasileiro, junto ao governo federal, para que sejam estabelecidas medidas de proteção e de equilíbrio entre a produção nacional e os asiáticos. Os pedidos de ações de apoio a esse segmento produtivo junto ao governo federal foram suspensos nos últimos dois meses por conta da indefinição de quem seria o novo comandante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Durante uma manifestação, prevista para acontecer no Congresso Nacional, em Brasília (DF), será feita a entrega de proposta de projeto de lei, elaborada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), criando um imposto Simples para desonerar toda a cadeia produtiva. Os manifestantes também vão solicitar audiência com o novo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, que substituiu Luiz Fernando Furlan. Novo dossiê - Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis do Estado de São Paulo (Sinditêxtil), Rafael Cervone Netto, também será entregue aos parlamentares um dossiê com uma radiografia do setor, com informações sobre a importância para economia, potencialidades e capacidade de geração de empregos. "Vamos sugerir a implantação de medidas de combate ao comércio desleal e a criação de condições iguais de competitividade", disse. De acordo com Netto, também há ações junto ao governo José Serra (PSDB), em São Paulo, para revisão nas alíquotas de impostos. ( MT ) Sinditec: TEC é insuficiente A alta da Tarifa Externa Comum (TEC) sobre os produtos têxteis chineses importados, de 20% para 35%, proposto pelo governo federal no mês passado, não vai resolver a crise do setor têxtil. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Tecelagem do Pólo Têxtil de Americana (Sinditec), Fábio Beretta Rossi, para fazer diferença o percentual deveria chegar a 70%. Rossi afirmou que o aumento vai representar apenas de 20% a 25% a mais no valor final do produto chinês no mercado nacional, resultando em uma melhora tímida de 5% na comercialização interna dos têxteis brasileiros. O setor, portanto, continuará a pressão para conseguir isonomia. ( MT )