Demitidos da Teka exigem reintegração

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas
Página: B8

O Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil de Blumenau (Sintrafite) organizou ontem um protesto em frente à fábrica da Tecelagem Kuehnrich (Teka), em Blumenau. Foi o segundo protesto nos últimos dias reunindo as 499 pessoas que a empresa demitiu em janeiro. O sindicato reivindica a reintegração desses funcionários e o depósito à vista do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo o advogado do Sintrafite, Osmar Packer, a última proposta feita pela companhia era o depósito do FGTS de 220 pessoas no dia 15 de março e o parcelamento em cinco vezes para os demais demitidos, o que não foi aceito pelo sindicato. Marcello Stewers, diretor de relações com investidores da Teka, disse ser impossível reintegrar os funcionários e que ainda está em negociação o depósito do FGTS. Segundo ele, a empresa não tem condições de pagar à vista, mas está comprometida em pagá-lo. Em 24 de janeiro, a Teka anunciou a dispensa de 10% do seu quadro de funcionários. As demissões foram nas fábricas de Blumenau e Indaial (SC), sendo poupadas as unidades localizadas no interior de São Paulo. A empresa alegou problemas com o câmbio. Com os cortes, a Teka reduziu a produção mensal de 1,7 mil toneladas para 1,5 mil , e o volume exportado, de 30% para 20% ao ano. Para Packer, a empresa não está comprometida com sua função social ao demitir um volume significativo de pessoas. Além dos protestos, o sindicato entrou com uma denúncia no Ministério Público do Trabalho, juntamente com outros sindicatos locais, motivados pelas demissões na Teka e em outras indústrias da região. Ao longo dos últimos doze meses, segundo o Sintrafite, foram dispensadas cerca de 2,5 mil pessoas nas quatro maiores empresas do setor na região - Teka, Hering, Karsten e Coteminas. As demissões na maior parte das vezes ocorreram em poucos volumes ao longo do ano, e aconteceram ao mesmo tempo em que houve contratações. O Sintrafite suspeita que há um movimento orquestrado pelas indústrias para demitir funcionários com mais tempo de casa e contratar novos, provocando assim um achatamento dos salários. Segundo o sindicato, os demitidos têm tempo médio de seis anos de empresa. Stewers contesta dizendo que as demissões ocorreram unicamente em função da conjuntura para o setor e que o corte foi pontual. "O resto é especulação". O Ministério Público confirmou o recebimento da denúncia e pediu mais esclarecimentos. Para o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Blumenau e região (Sintex), Renato Valim, a denúncia não procede. Também citou a situação conjuntural da economia como motivador de demissões no setor e disse que é "o mercado que regula a questão salarial".