ABIT: SETOR TÊXTIL PODE REGISTRAR DÉFICIT DE US$ 1,3 BI EM 2007

Veículo: Agência do Estado
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São Paulo, 02 - O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (ABIT), Josué Gomes da Silva, disse hoje que o saldo da balança comercial do setor pode registrar um déficit, em 2007, de US$ 1,3 bilhão, o maior desde 1997 - quando o câmbio era fixo. Ele faz essa projeção baseado no aumento de 50% das importações e 6% das exportações têxteis em janeiro de 2006, em relação ao mesmo período de 2005. Isso pode resultar, se concretizada a projeção, na redução de 280 mil postos de trabalho para no setor em 2007. Segundo Gomes da Silva, o primeiro mês de 2007 registrou um déficit de US$ 47 milhões - quase igual ao de todo o ano de 2006, que atingiu US$ 60 bilhões. "Se nós não despertamos e não acordarmos a tempo pode ficar tarde. Não adianta nada pôr a tranca na porta depois que o celeiro for arrombado. Estão se acumulando os efeitos da deterioração das condições de competitividade da indústria, até que chega num ponto que rompe", afirma, acrescentando que após cinco anos seguidos de superávit e ter dobrados suas exportações, o setor volta a apresentar déficit em sua balança. Um dos componentes desse resultado, na avaliação de Gomes da Silva, se encontra nos produtos importados da China, de forma ilegal, já que não são registrados pelo governo brasileiro. Somente entre os meses de janeiro e setembro de 2006, as exportações chinesas de vestuário ao Brasil registraram 27,9 mil toneladas, enquanto que apenas 15,4 mil toneladas passaram oficialmente pela alfândega. "Há um problema de registros gigantescos nas exportações chinesas ao Brasil. Isso demonstra que os produtos têxteis estão entrando de forma ilegal." Enquanto isso, o superávit do setor têxtil chinês, divulgado hoje, chegou a US$ 129,03 bilhões no ano passado, contra os US$ 102 bilhões obtidos em 2005. As exportações chinesas cresceram 25,14%, para US$ 147,08 bilhões, e as importações totalizaram US$ 18,05 bilhões, com um aumento de 5,57%. Gomes da Silva afirma que para esse quadro ser revertido é preciso que sejam reduzidos os tributos que pesam sobre o setor, combatidas a sonegação e a informalidade nos negócios. Porém, dentro do Brasil, o grau de informalidade no setor também é grande. "É função do Estado fazer com que os impostos sejam pagos, porque, se não, se cria um diferencial competitivo que desestrutura a indústria.", afirma. A informalidade no mercado brasileiro, segundo ele, é que abre as portas para a importação ilegal. "À medida que tem informalidade na cadeia têxtil doméstica, você cria as condições para a importação ilegal. Se o Estado não consegue que todos paguem impostos é preferível que se diminuam os impostos da cadeia." Atualmente, o Brasil tem mais de cem pontos de recepção de produtos têxteis importados, o que acaba dificultando a fiscalização. "Já que o governo não tem como impedir as importações, que concentre elas a dois ou três portos, como forma de coibir a entrada ilegal de produtos têxteis no País." Ele ressalta também que é necessária a ampliação dos acordos comerciais com os principais mercados mundiais para artigos têxteis e confeccionados. "Até a Costa Rica exporta mais têxteis do que o Brasil", lamenta, acrescentando que as Américas representam 65% das exportações brasileiras, sendo os Estados Unidos e a Argentina os principais mercados; enquanto a União Européia representa 18%. A reabertura da Rodada de Doha pode resultar em prejuízos ao setor têxtil. Gomes da Silva salienta que "está se configurando, de forma clara, que o Brasil vai de fato aceitar uma redução tarifária aos produtos do vestuário", em detrimento da ampliação do acesso dos produtos agrícolas brasileiros aos mercados internacionais. Segundo ele, essas negociações irão "achatar" de forma violenta as posições tarifárias que têm maiores alíquotas. "O corte nas tarifas poderia ser de em torno de 50% a 60%", explica.