Enquanto exportadores se queixam, máquinas e siderurgia comemoram

Veículo: Estado de São Paulo
Seção: Economia
Página: B8

Decepção de um lado, otimismo de outro. Enquanto fabricantes de máquinas e equipamentos para infra-estrutura e as siderúrgicas receberam bem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), representantes do agronegócio e outros setores exportadores questionam os critérios do governo para definir as áreas beneficiadas por medidas de desoneração. É um absurdo achar que, só porque os números do comércio exterior são muito bons, não existem problemas, diz o diretor do Departamento de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca. Entre as medidas reivindicadas pelo setor exportador deixadas de fora do PAC, o diretor da Fiesp cita a falta de incentivos para modernização da área retroportuária e de portos secos e entrepostos alfandegados, no interior do País. Na avaliação do vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o governo poderia pelo menos ter incluído no programa a ampliação dos benefícios fiscais na compra de máquinas por empresas exportadoras. Pela “MP do Bem”, somente as empresas que exportam 80% da produção podem ser beneficiados. É um índice muito alto, argumenta Casto. Apesar de se sentir excluído, o setor exportador deverá se beneficiar dos projetos para a área de infra-estrutura. O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, ainda espera que as reivindicações do agronegócio sejam atendidas. Um setor que responde por 40% do PIB e gera 86% da pauta de exportação não pode ficar fora de qualquer projeto de desenvolvimento. Já o presidente da Cedro Cachoeira, Aguinaldo Diniz Filho, ficou decepcionado. O setor têxtil, ao contrário da nossa expectativa, foi esquecido.Na área de calçados, o diretor da Ferracini, Marco Araújo, diz que não esperava nada muito profundo no PAC. Mas já ajudaria muito se ele desonerasse um pouco a carga tributária da indústria de calçados. Otimismo Fabricantes de máquinas e equipamentos para infra-estrutura e as siderúrgicas estão otimistas. O consumo de aço poderá crescer este ano além da estimativa inicial de 6% por causa das desonerações e previsões de investimento, diz o vice-presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Polo de Mello Lopes. Segundo um executivo do setor, a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não deverá isoladamente trazer impactos no movimento das empresas. A expectativa é de que o efeito favorável sobre setores que demandam aço, como construção civil, aumente o consumo do produto. Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Newton Mello, pondera que o PAC não terá efeito positivo no setor industrial como um todo. Ele ressalta que o principal problema para a indústria, que é o real valorizado, não foi atacado pelo PAC. Menos espaço para os PCs ilegais Semana que vem, a Microsoft lança o Windows Vista, nova versão de seu sistema operacional. As medidas para o setor de PCs, incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), abrem espaço para que máquinas com o software sejam beneficiadas. "Estava difícil encaixar micros com o Windows Vista Premium no limite anterior, de R$ 2,5 mil", afirmou Hélio Rotenberg, diretor-geral da Positivo Informática. Com o anúncio de segunda-feira, a faixa de isenção de PIS/Cofins foi ampliada para computadores de até R$ 4 mil. O Windows Vista exige máquinas mais sofisticadas, com 1 gigabyte de memória e maior capacidade gráfica. Para os notebooks, a faixa de isenção passou de R$ 3 mil para R$ 4 mil. Maior fabricante de PCs do Brasil, a Positivo vai lançar semana que vem computadores com o Vista com preços de R$ 2,6 mil e R$ 2,7 mil. Sem a redução, sairiam por R$ 2,9 mil ou R$ 3 mil. O PAC deve contribuir com a redução do chamado mercado cinza, que sonega impostos e usa componentes contrabandeados, hoje responsável por metade das máquinas vendidas. Antes da chamada MP do Bem, os fabricantes cinzas tinham 75% do mercado. A aposta da indústria é ganhar espaço dos ilegais. "As vendas para pequenas e médias empresas e para o mercado residencial devem crescer", disse Gleverton Munno, gerente de Assuntos Corporativos da Dell. "Um computador que hoje custa R$ 4,7 mil deve sair por R$ 4 mil." Para a Semp Toshiba, o aumento da isenção não deve ampliar as vendas de forma significativa. Segundo o diretor de Informática para Varejo da empresa, Celso Soares, a medida vai beneficiar a camada população de maior renda. "A isenção anterior atendia realmente a população de menor renda e estava voltada para a inclusão digital", disse Soares. "O aumento nas vendas será apenas marginal."