China exportará mais que EUA, diz OMC

Veículo: Valor Econômico
Seção: Internacional
Página: A8

A China tende a superar os Estados Unidos e se tornar o segundo maior exportador mundial de mercadorias este ano, de acordo com estimativas feitas por fontes próximas da Organização Mundial do Comércio (OMC). No segundo semestre de 2006, o total das exportações chinesas já superou pela primeira vez as dos EUA, embora não ainda no conjunto do ano. Mas isso está próximo, considerando o ritmo de crescimento de suas vendas, de 27%, comparado ao de 10%, no caso dos EUA. O principal exportador continuará sendo a Alemanha, se as suas vendas aumentarem no ritmo de 12%. Os chineses conquistam também mais o mercado da América Latina. Em 2006, suas exportações aumentaram 52% para a região. As exportações dos EUA para a América Latina também cresceram bastante, mas ficando em 20%. De acordo com dados chineses, suas vendas para o Brasil expandiram 53%, só abaixo dos 61% de crescimento nas exportações destinadas ao México. Pequim elevou também em 32% as importações procedentes do Brasil. O Brasil mantém saldo na balança bilateral. As vendas para a África cresceram 40%. Para os EUA, seu principal mercado, a expansão foi de 25%. A mudança no poder das nações exportadoras depende em parte do câmbio. Se o euro continuar valorizado, as exportações alemães terão maior valor em dólar e continuarão na liderança. Ainda mais que o yuan tende a valorizar, afetando a competitividade chinesa. Em 2006, o saldo comercial chinês aumentou 74%, totalizando US$ 177,4 bilhões. As exportações alcançaram US$ 969 bilhões e as importações, US$ 791,6 bilhões, segundo dados de Pequim. O ministro de Comércio, Bo Xilai, reiterou ontem que resolver o desequilíbrio comercial, tema de fricções com os parceiros, será "prioridade" para este ano. A questão é especialmente sensível nos EUA, que acumularam déficit comercial estimado em US$ 770 bilhões em 2006 - US$ 60 bilhões a mais do que em 2005, boa parte nas trocas com Pequim. Parlamentares americanos continuam a ameaçar de impor sanções contra produtos chineses, argumentando que a moeda de Pequim está desvalorizada e mantida deslealmente assim pelo governo. Ocorre que metade das exportações chinesas são produzidas por empresas sob controle estrangeiro e 60% são "processadoras", ou seja, processam e montam bens intermediários importados para reexportação. Esse movimento continua firme. Os chineses dizem ter recebido US$ 63 bilhões de investimentos diretos externos (IDE) no ano passado, numa alta de 5%. As empresas do país também aumentaram em 32% seus investimentos no exterior, totalizando US$ 12,3 bilhões. Pequim é também o terceiro maior importador do planeta. Suas compras cresceram num ritmo de 20% no ano passado. Cerca de 60% do que importa vem de outras economias asiáticas. Suas importações de petróleo bruto alcançaram o volume recorde de 145,1 milhões de toneladas (14,5% a mais). É o segundo consumidor mundial de petróleo, atrás apenas dos EUA, e o terceiro importador, após EUA e Japão. Entidades como a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) previam que os chineses se tornariam o maior exportador global de bens e serviços até 2010. Mas isso é bastante difícil, considerando que os EUA exportam várias vezes mais no setor de serviços do que os chineses - US$ 354 bilhões, comparados a US$ 74 bilhões - e num ritmo de expansão mais acelerado.