Pólo têxtil pede socorro

Veículo: Diário do Comércio
Seção: Economia
Página: 6

O pólo têxtil de Americana, interior de São Paulo, que engloba as cidades de Santa Bárbara dOeste, Nova Odessa e Sumaré, com cerca de 700 indústrias, registrou o pior resultado anual, em 2006, dos últimos cinco anos. No período, a região, que detém a produção de 80% do total de fios sintéticos no Brasil, caiu de 170 milhões para 150 milhões de metros lineares ao mês. Como reflexo, só no ano passado foram 2 mil demissões, segundo sindicatos de trabalhadores da região. E, mantidas a desvalorização do dólar e a franca entrada dos tecidos asiáticos, a situação piora em 2007, aposta o Sindicato das Tecelagens de Americana e Região (Sinditec). De acordo com o presidente do sindicato, Fábio Beretta, a crise está instalada entre os empreendedores do tecido nacional desde 2005, quando o produto chinês entrou forte no Brasil . De lá para cá, o que se viu foi a ampliação da China no mercado nacional, com produtos a preços abaixo da competição e importação ilegal. "Este ano só não terá uma retração média de 10% de participação no mercado, que ocorre desde 2005, se o governo federal fizer o que deve: barrar efetivamente os produtos asiáticos no mercado interno brasileiro", disse o presidente, que relaciona ainda os juros altos e excesso de tributos na composição do pesadelo empresarial que vive neste momento. Para Beretta, os empresários estão ficando sem saídas. Não adianta, por exemplo, como ocorre no Pólo de Americana, o setor investir em novas tecnologias e novos desenhos e materiais para oferecer produtos diferenciados. "Em quatro ou cinco meses já começam a aparecer as primeiras falsificações", observou. Segundo o presidente do Sinditec, os empresários do setor devem procurar o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para pedir uma atitude. "Temos a informação de que há uma quantidade impressionante de tecidos chineses nos portos brasileiros que podem ser liberados a qualquer momento", afirmou. Crise - No Estado de São Paulo, que responde por 32% do Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia têxtil nacional, e por 25% das exportações, o déficit da balança comercial do ano passado foi de US$ 100 milhões. Também é o pior resultado desde 2001, quando o saldo negativo para as exportações bateu os US$ 119 milhões. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria Têxtil do Estado de São Paulo (Sinditêxtil), Rafael Cervone Netto, além dos tecidos asiáticos, da carga tributária e do dólar desfavorável, os empresários têxteis de São Paulo também sofrem com a guerra fiscal. Os negócios em marcha lenta se refletem nos níveis de ocupação do trabalhador paulista nessa área. Enquanto a indústria de transformação, de janeiro a setembro de 2006, registrou 0,71% de crescimento, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmento têxtil recuou 4,6 % e o vestuário sofreu queda de 8,61%, o que suprimiu 22 mil postos de trabalho. Atualmente, são 259 mil trabalhadores, só em São Paulo. Já no Brasil, o setor soma 1,6 milhão de empregados, 4,6% menos que em 2005. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit) estima que o faturamento global do setor parou em US$ 32,9 bilhões, em 2006, a mesma marca de 2005. Nas exportações, os números caíram de US$ 2,2 bilhões, em 2005, para US$ 2,1 bilhões no ano passado. Apesar de algum otimismo, espera-se nova redução neste ano. Já as importações cresceram de US$ 1,5 bilhão em 2005 para US$ 2,1 bilhões no ano passado. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Têxteis de Santa Bárbara dOeste, Cláudio Peressin, disse que todos os trabalhadores do País estão com receio de entrar para a lista de desempregados. "A reclamação geral é que, se o governo não fizer alguma coisa e ficar somente no discurso, vamos todos acabar perdendo o trabalho", observou o sindicalista.